Patrícia Barão

Head of Residential na JLL

Opinião

“Location, location, location”: Ainda é isso que importa na hora de comprar casa?

16 Abril, 2024 · 16:38

O mantra “localização, localização, localização” continua a ser central para quem compra casa. E muito bem, porque tudo (ou quase tudo) em nossa casa pode ser transformado, menos a localização. Muitas vezes, a decisão de compra é feita pelas caraterísticas da casa (a dimensão, tipologia, layout, equipamentos…), mas a localização é o pivot central para estabelecer o valor do imóvel, o seu potencial de valorização e, sobretudo, a qualidade de vida do comprador.

Uma das decisões mais importantes de vida é, por isso, a escolha do sítio onde vivemos, pelo que, na hora de escolher a localização é preciso ter uma perspetiva multifacetada. Ou seja, há um conjunto de fatores que devemos ter em atenção.

Geografias à parte (podemos falar de Lisboa, do Porto, do Barreiro, de Vila do Conde, de Évora, de Loulé…), um dos fatores essenciais na escolha da localização é a proximidade às valências de que necessitamos para o nosso quotidiano. Qual a distância de comércio, escolas, equipamentos de saúde, transportes públicos ou oferta de cultura e entretenimento? A existência deste tipo de oferta numa área de influência curta é cada vez mais importante. Esta é, aliás, uma das tendências a ganhar mais força nos últimos anos: a “Cidade dos 15 minutos”, de Carlos Moreno, de acordo com a qual, tudo o que precisamos no nosso dia-a-dia deve estar num raio de distância de 15 minutos.

Por isso mesmo, e seguindo esta tendência, outro fator crucial na escolha da localização é o tempo de deslocação casa-trabalho. O tempo que demoramos entre estes dois pontos da nossa vida quer-se cada vez menor e é também um dos aspetos determinantes nestas novas “cidades dos 15 minutos”. Esta é uma questão que assumiu uma importância crescente desde a pandemia e a adoção dos novos modelos de trabalho, mas que veio para ficar.


"Outro fator crucial na escolha da localização é o tempo de deslocação casa-trabalho. O tempo que demoramos entre estes dois pontos da nossa vida quer-se cada vez menor e é também um dos aspetos determinantes nestas novas “cidades dos 15 minutos”. "


Ainda no âmbito da envolvente e área de influência, o ambiente e a estética da zona dão um contributo essencial para a atratividade da localização e do imóvel. Ruas limpas, áreas verdes, coesão territorial e arquitetónica criam uma atmosfera mais apelativa. Além da proximidade às valências de conveniência e lazer, também a oferta circundante de áreas naturais como parques verdes, zonas de praia ou fluviais são argumentos na hora de escolher a localização da casa.

Numa perspetiva mais “material”, mas essencial, a escolha da localização deve considerar quer o valor (atual) da casa quer o seu potencial de valorização ao longo do tempo. Os imóveis situados em zonas mais “desejáveis” – considerando os fatores acima – geram maior procura e tendem a registar um índice de valorização sólido. Pelo contrário, imóveis idênticos, mas em localizações menos apelativas dificilmente terão um ritmo idêntico de valorização. E, neste âmbito, é preciso ter em conta não só os argumentos existentes no momento da compra, como os desenvolvimentos planeados para o futuro, especialmente em termos de infraestruturas âncora. Podemos estar a falar de uma zona atualmente menos desenvolvida, mas que a prazo terá, na sua área de influência, valências com impacto muito positivo na qualidade de vida dos habitantes e, por essa via, no valor dos imóveis.

Em conclusão, a importância da localização não pode deixar de ser enfatizada. Pese embora as caraterísticas da casa serem determinantes para quem compra, o facto é que é a localização que mais afeta o seu valor, o seu potencial de valorização e a experiência e qualidade de vida dos habitantes. Por isso, quando procura a casa ideal, avalie e pesquise a melhor localização, pensando no seu próprio dia-a-dia.

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