Dicas

Tem garrafas e latas para reciclar? Nem todas entram no sistema Volta

Maio 11, 2026 · 4:47 pm

Um mês depois de entrar em funcionamento, o novo sistema de reciclagem está a meio gás, com a maioria das embalagens ainda incompatíveis para serem recicladas, embora a empresa gestora assegure que a rede de recolha está quase concluída.

O Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de bebida para reciclagem, denominado “Volta” completou um mês, mas o arranque tem sido lento e alvo de diversas críticas, tanto de associações ambientalistas como de utilizadores.

A SDR Portugal – entidade gestora licenciada pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela Direção Geral da Economia – para a implementação e gestão do SDR disse à Lusa que o mecanismo “arrancou de forma progressiva no passado dia 10 de abril com mais de 90% da rede de pontos automáticos Volta instalada em todo o território nacional”.

As embalagens de bebidas (garrafas e latas, de plástico, metal ou alumínio, inferiores a 3 litros) com o símbolo do sistema – uma seta em forma de ferradura e a palavra Volta – passaram a custar 10 cêntimos a mais.

As pessoas só podem receber os 10 cêntimos de volta se depositarem embalagens com o símbolo Volta, vazias, intactas, com tampa (no caso das garrafas), com código de barras legível em máquinas do SDR, que se encontram junto de supermercados.

Segundo a empresa, existem 2.500 máquinas, mas prevê-se que este número se aproxime das 3.000.

O sistema não substitui os ecopontos: funciona em paralelo, criando um circuito próprio para estas embalagens.

Período de transição até 9 de agosto

Apesar de as máquinas estarem instaladas, muitas das embalagens ainda não possuem o selo do Volta, encontrando-se a vigorar um período de transição até 09 de agosto.

Na semana passada, a Lusa constatou que a maioria das embalagens à venda em supermercados da capital ainda não podem ser depositadas em máquinas Volta porque não têm o logótipo do sistema. Em muitos casos, ao lado das máquinas Volta, amontoam-se em caixotes as embalagens de bebidas rejeitadas pela máquina por ainda não terem o símbolo ou por serem de materiais inadequados para o sistema.

As principais dúvidas dos consumidores estão relacionadas com as condições de elegibilidade das embalagens, assim como o valor de depósito e formas de reembolso, localização dos pontos Volta e o período de transição.

Em restaurantes, cafés e hotéis o sistema funciona de forma diferente consoante o tipo de consumo. Nestes setores, quando o cliente paga apenas no fim da refeição, não deve ser cobrado o depósito de 10 cêntimos, exceto se a embalagem for levada pelo consumidor ou se estiver danificada.

Quando o pagamento é feito antes do consumo, o valor do depósito deve ser cobrado ao cliente e devolvido quando a embalagem é entregue em condições adequadas e, se necessário, mediante apresentação do comprovativo de compra.

Vidro de fora, reembolsos pouco ágeis

Apesar das críticas e das dificuldades no arranque, tanto a Zero como a Quercus convergem numa ideia: o sistema Volta representa um passo importante para aumentar a reciclagem em Portugal, mas ainda está longe de atingir o seu potencial.

Um dos pontos mais criticados é a exclusão das embalagens de vidro, uma decisão que contraria o espírito da lei aprovada em 2018, que previa a sua integração no sistema. Para a Zero, incluir o vidro teria sido a forma mais rápida e eficaz de acelerar o cumprimento das metas ambientais, numa altura em que Portugal continua a falhar objetivos de recolha deste material. A associação lembra que o país está atualmente nos 56% de recolha, longe da meta de 75% definida pela União Europeia para 2030.

Também a Quercus defende a futura integração do vidro no SDR e até o regresso da tara retornável como incentivo à reutilização, sublinhando que países como Alemanha ou Dinamarca já incluem estas embalagens em modelos semelhantes. A associação alerta ainda para desafios práticos na implementação do sistema, desde a necessidade de “reeducar os consumidores” para a convivência entre máquinas Volta e ecopontos, até à digitalização do reembolso, hoje feito sobretudo através de vouchers em papel, que facilmente se perdem e não agilizam o sistema.

Ao mesmo tempo, o Volta enfrenta um desafio adicional: as metas para 2026 foram revistas em baixa. Poucas semanas após o arranque, a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) e a Direção-Geral da Economia (DGE) reduziram a meta de recolha de embalagens abrangidas de 70% para 40%, justificando a decisão com os atrasos na definição do modelo económico do sistema.

O objetivo mantém-se ambicioso: reciclar 90% das embalagens abrangidas até 2029, mas, um mês depois do arranque, o sistema ainda parece estar a dar os primeiros passos.

Fonte: Lusa/ Redação

Dicas

Casa Portugal: o sonho mora aqui!

Uma visita guiada à Seleção Nacional em forma de casa, onde cada jogador é uma divisão.

Dicas

Troca de eletrodomésticos: o seu equipamento velho vai dar desconto

Ar condicionado, frigoríficos e televisores antigos dão descontos na loja. Conheça as condições e os prazos.

Decoração

Antes e depois: este T2 ganhou uma nova vida sem obras profundas

Com orçamento controlado e sem obras profundas, apartamento turístico voltou a destacar-se no mercado.

Leia mais

Habitação

“O problema não é o crédito, é o preço das casas”

BPI alerta para crise estrutural da habitação em Portugal.

Profissionais

Como destacar os seus imóveis quando a concorrência faz igual

Num mercado onde todos anunciam, a diferença está em quem consegue ser visto!

Dicas

Casa Portugal: o sonho mora aqui!

Uma visita guiada à Seleção Nacional em forma de casa, onde cada jogador é uma divisão.

Habitação

Crise na Habitação: Preços sobem 53% na UE e despejos batem recordes em Portugal

Relatório europeu alerta para 1,3 milhões de pessoas em situação de sem-abrigo na UE.