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Sul da Europa deve manter crescimento acima da média europeia

Abril 23, 2026 · 2:46 pm
Imagem de Pixabay no Pexels

O Sul da Europa continua a ganhar terreno no mapa imobiliário europeu e, apesar de um contexto económico ainda marcado por incertezas, tudo indica que 2026 deverá manter a região acima da média da União Europeia. A leitura é do mais recente relatório Southern Europe’s real estate markets, da Savills, que sublinha a combinação de crescimento económico, procura sólida e interesse internacional como principais motores desta trajetória.

Depois de um 2025 particularmente forte, Espanha, Portugal, Itália e Grécia atingiram um máximo histórico de investimento imobiliário, somando cerca de 35 mil milhões de euros, um crescimento de 24% face a 2024. Este desempenho coloca o Sul da Europa como uma das regiões mais dinâmicas do continente, num momento em que vários mercados do Norte enfrentam maior pressão de ajustamento.

Projeções otimistas para sul da Europa

Para 2026, as projeções económicas reforçam essa análise. Segundo estimativas da Oxford Economics citadas no relatório, Espanha deverá crescer 2,4%, Portugal 2,1% e a Grécia 1,8%, todos acima da média prevista de 1% para a UE27. Itália mantém também uma trajetória de crescimento mais contida, mas ainda alinhada com a recuperação gradual da região.

No caso português, o desempenho económico é um dos fatores mais relevantes para o setor imobiliário. Um crescimento previsto de 2,1% do PIB coloca o país num patamar claramente superior ao da média europeia, sustentando tanto a procura habitacional como o interesse dos investidores internacionais.

Investimento continua a chegar, mas com outro ritmo

Apesar do recorde atingido em 2025, o sentimento dominante para 2026 não é de aceleração, mas sim de continuidade. A expectativa é de que o dinamismo se mantenha, ainda que de forma mais moderada.

James Burke, Diretor, Global Cross Border Investment na Savills, antecipa: depois de um ano excecional, espera-se que o dinamismo se mantenha. “Os investidores já não estão apenas a aproveitar um movimento de recuperação no Sul, estão a apostar numa dinâmica de procura mais sólida e num conjunto de oportunidades mais amplo, numa altura em que o Mediterrâneo passa de posição periférica a aposta estratégica nas carteiras europeias.”

Ou seja, o Sul da Europa deixou de ser apenas uma oportunidade cíclica para se tornar numa aposta estrutural, algo que altera o tipo de decisões de investimento em curso.

O que está a alavancar o mercado

Segundo a Savills, há vários fatores a sustentar este desempenho acima da média.

O primeiro é a diversificação da oferta de ativos. O crescimento de segmentos alternativos, como residências para estudantes (PBSA), senior living e unidades de cuidados continuados, tem vindo a alargar o universo de investimento e a atrair capital institucional mais especializado.

Em paralelo, o mercado beneficia de uma menor exposição ao comércio eletrónico em comparação com alguns mercados do Norte da Europa, o que ajuda a manter níveis de ocupação mais estáveis no retalho físico.

Nos segmentos de escritórios e logística, o Sul da Europa apresenta também condições competitivas mais favoráveis, com rendas ainda atrativas e ativos com potencial de melhoria de qualidade. Esta combinação tem sido particularmente relevante para investidores internacionais à procura de yield num contexto europeu mais comprimido.

A estes fatores soma-se ainda a questão energética: uma maior dependência de fontes renováveis está a contribuir para maior previsibilidade de custos operacionais, um fator cada vez mais valorizado por ocupantes e investidores.

Um mercado mais competitivo

Para o Sul da Europa, o ciclo atual representa mais do que um momento de recuperação. Representa uma mudança de posição no ecossistema imobiliário europeu.

Como refere Jaime Pascual-Sanchiz, CEO da Savills Iberia e Head of Southern Europe, a região ganhou quota de mercado e está hoje firmemente no radar dos investidores internacionais, impulsionada por fundamentos sólidos no turismo, na habitação e nos novos segmentos de living.

Ainda assim, o próprio contexto europeu impõe alguma prudência. O crescimento acima da média não elimina riscos, desde a evolução das taxas de juro até à capacidade de absorção de nova oferta em determinados segmentos. Mas, por agora, os indicadores apontam para um cenário de continuidade, mais do que de reversão.

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