Dinheiro
Quanto custa comprar casa em cada região do país?
Abril 27, 2026 · 12:43 pm
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Comprar casa em Portugal continua a ser um exercício de equilíbrio entre ambição, localização e orçamento. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram um mercado que não abranda e, pelo contrário, está a acelerar em vários pontos do país. Mas nem tudo cresce ao mesmo ritmo, nem em todos os territórios.
As estatísticas de 2025 traduzem a evolução anual do mercado, enquanto as do 4.º trimestre revelam a dinâmica mais recente dos preços da habitação.
Preços continuam a subir de forma expressiva
Se olharmos para o ano completo, o retrato é claro: em 2025, o preço mediano dos alojamentos familiares transacionados em Portugal foi de 2 076 €/m², com base em 164 677 vendas realizadas.
Este valor representa uma subida de:
- +16,8% face a 2024
- +4,3% face ao ano acabado em setembro de 2025
Ou seja, o mercado imobiliário português manteve uma trajetória de valorização forte e consistente.
Em paralelo, a atividade manteve-se significativa, com Lisboa a liderar largamente em número de transações. Só em 2025, o município de Lisboa registou 8 235 vendas, seguido por Sintra (6 363), Vila Nova de Gaia (5 494) e Porto (4 503).
Onde é mais caro comprar casa?
Os dados relativos a 2025 confirmam uma concentração clara dos preços nas mesmas zonas de sempre: litoral e áreas metropolitanas.
As regiões com preços acima da média nacional foram:
- Grande Lisboa: 3 439 €/m²
- Algarve: 3 139 €/m²
- Península de Setúbal: 2 596 €/m²
- Região Autónoma da Madeira: 2 500 €/m²
- Área Metropolitana do Porto: 2 305 €/m²
São, de forma consistente, as zonas mais caras do país e também aquelas onde a pressão da procura internacional é mais visível.
Um dado relevante ajuda a explicar parte desta dinâmica: em 2025, os compradores com domicílio fiscal no estrangeiro pagaram, em média, mais em praticamente todas estas regiões, com diferenças especialmente marcadas na Grande Lisboa e no Porto.
Lisboa no topo: um mercado claramente destacado
Entre os municípios, a concentração de preços é ainda mais evidente. No conjunto do ano de 2025, Lisboa volta a destacar-se como o mercado mais caro do país, com um preço mediano de 4 875 €/m².
Logo a seguir surgem:
- Cascais: 4 550 €/m²
- Oeiras: 4 187 €/m²
Estes valores colocam estes municípios num patamar claramente separado do restante território nacional.
Também aqui surgem diferenças relevantes entre compradores nacionais e estrangeiros. Em Lisboa, por exemplo, o preço mediano atingiu 4 813 €/m² para compradores nacionais e 6 026 €/m² para compradores estrangeiros, evidenciando o impacto da procura internacional no segmento mais pressionado do mercado.
Ano vs. trimestre: duas leituras diferentes do mercado
Se o ano mostra um mercado em valorização sólida, o 4.º trimestre de 2025 ajuda a perceber a dinâmica mais recente e ligeiramente mais intensa.
Neste período, o preço mediano da habitação em Portugal foi de 2 198 €/m², o que representa:
- +17,5% face ao 4.º trimestre de 2024
- +4,1% face ao trimestre anterior
Ao mesmo tempo, registou-se uma quebra de atividade, com 41 789 transações, menos 5,3% do que no mesmo período do ano anterior.
Ou seja, neste trimestre específico, o mercado mostra um padrão típico de pressão: menos casas vendidas, mas preços a subir mais depressa.
Onde os preços estão mais elevados no trimestre?
No 4.º trimestre, o ranking dos municípios mais caros mantém a hierarquia habitual, com Lisboa novamente destacada:
- Lisboa: 5 198 €/m²
- Cascais: 4 654 €/m²
- Oeiras: 4 225 €/m²
Também neste período, várias regiões continuam claramente acima da média nacional, reforçando a concentração geográfica dos preços.
Os mercados não evoluem ao mesmo ritmo
Um dos pontos mais relevantes do trimestre é a desigualdade de evolução entre municípios. Segundo o INE, os preços aceleraram em 13 dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, com destaque para:
- Barcelos: +14,5 pontos percentuais
- Maia: +14,1 pontos percentuais
Em sentido contrário, registaram-se fortes desacelerações em:
- Matosinhos: -27,6 p.p.
- Coimbra: -25,7 p.p.
Lisboa e Porto continuam a crescer, mas de forma mais estável e moderada do que alguns mercados intermédios.
O conjunto destes dados mostra uma tendência clara: Portugal continua a ser um mercado em valorização, mas profundamente desigual no território.
A diferença entre regiões de baixo custo e grandes centros urbanos continua a aumentar, com disparidades que ultrapassam largamente os 2 000 €/m² entre extremos do país.
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