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Sabe onde os preços das casas dispararam mais de 30%?

Maio 8, 2026 · 9:21 am
Foto de Miguel Bernardo na Unsplash

Durante muito tempo, a resposta parecia óbvia: quando se falava em grandes subidas no preço das casas, o olhar virava-se quase automaticamente para Lisboa, Cascais ou Oeiras. Mas os dados mais recentes do mercado contam uma história diferente. Em 2026, são vários concelhos da Margem Sul do Tejo que lideram a valorização imobiliária na Área Metropolitana de Lisboa, com aumentos que ultrapassam os 30% num único ano.

Os dados mais recentes dos Índices de Preços Residenciais, da Confidencial Imobiliário, mostram um deslocamento evidente do dinamismo imobiliário. Lisboa continua cara, Cascais continua exclusivo, Oeiras mantém o seu patamar elevado, mas já não são estes os mercados que mais sobem.

São os concelhos do outro lado do rio. Moita, Barreiro e Seixal lideram a valorização na Área Metropolitana de Lisboa, com aumentos que rondam, e em alguns casos ultrapassam, os 30% em termos homólogos. Alcochete, Almada e Montijo seguem a mesma tendência, ainda que com ritmos ligeiramente mais moderados.


  • Moita (+35,6%)

  • Barreiro (+31%)

  • Seixal (+31%)

  • Alcochete (+21,7%)

  • Almada (+20,2%)

  • Montijo (+17,4%)


O efeito Lisboa atravessou o rio

Durante muito tempo, a Margem Sul foi vista como uma espécie de reserva acessível: preços mais baixos (40 a 60% abaixo da capital), mas boa ligação a Lisboa e com potencial de valorização. Esse ciclo está agora a cumprir-se e a mudar de fase.

Em Almada, o preço médio já ultrapassa os 3.500 euros por metro quadrado. Barreiro e Seixal superaram recentemente a barreira dos 3.000. E há apenas dois anos, muitos destes valores estavam muito abaixo dos 2.500 euros.

A explicação mais óbvia continua a ser a mesma: Lisboa ficou cara demais para grande parte da procura. A pressão da capital empurrou compradores para sul, mas esse movimento criou uma nova dinâmica local.

“A dinâmica recente reforça o papel da Margem Sul como um dos principais focos de valorização imobiliária da Área Metropolitana de Lisboa, refletindo a conjugação de preços ainda relativamente mais competitivos, crescente procura residencial e um ajustamento gradual — mas ainda insuficiente — da oferta”, comenta Ricardo Guimarães, Diretor da Confidencial Imobiliário.

A pressão dos preços continua a redesenhar o mapa da habitação.

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