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Quem compra casas em Portugal? Há um novo mapa dos compradores estrangeiros
Julho 24, 2026 · 9:51 am
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O mercado imobiliário português continua a atrair compradores internacionais, mas o perfil de quem investe varia cada vez mais de região para região. Enquanto os britânicos continuam a dominar a procura no Minho e no Algarve, os norte-americanos reforçam a presença no Porto e no Oeste, e os brasileiros mantêm Cascais entre os destinos preferidos.
A conclusão consta do Market Report Portugal 2025-2026, da Engel & Völkers, elaborado a partir da atividade da mediadora nas regiões onde está presente. O estudo aponta para uma crescente diversificação da procura internacional, embora os resultados retratem apenas as transações da empresa e não a globalidade do mercado imobiliário português.
Esta evolução acompanha também a transformação económica de várias regiões do país. Braga consolidou-se como um dos principais polos tecnológicos nacionais, impulsionado pela Universidade do Minho, pelo Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia (INL) e por um ecossistema de empresas tecnológicas, enquanto Guimarães reforça a sua atratividade através da valorização do património histórico e da reabilitação urbana.
Já a região Oeste beneficia da proximidade a Lisboa e de preços ainda competitivos, enquanto Cascais e o Algarve continuam a afirmar-se como mercados internacionais de referência.
Britânicos lideram no Minho
No Minho, os britânicos continuam a ser a principal nacionalidade estrangeira a investir em imobiliário. Segundo o estudo, o segmento das moradias é praticamente dominado por compradores internacionais, que representam 95% das aquisições, privilegiando imóveis com jardim, terraço e piscina.
Apesar desta forte presença estrangeira, a região continua a crescer também graças à procura nacional. Braga ultrapassou os 200 mil habitantes em 2024 e afirma-se como um dos poucos grandes concelhos portugueses com crescimento demográfico positivo, sustentado pelo dinamismo económico e universitário.
No Porto, os compradores nacionais continuam a representar a maioria das transações (73%), mas os norte-americanos consolidaram a liderança entre os investidores estrangeiros, à frente de franceses e espanhóis.
Também em Vila Nova de Gaia cresce o peso do investimento internacional, que já representa cerca de um terço das transações realizadas pela Engel & Völkers. Os Estados Unidos, Reino Unido e França surgem entre as nacionalidades mais representadas.
Oeste ganha peso internacional
Uma das regiões que mais se destacou nos últimos anos foi o Oeste. Segundo a Engel & Völkers, 55% das transações realizadas na região em 2025 envolveram compradores estrangeiros. Norte-americanos, franceses e alemães lideram a procura, atraídos pela proximidade a Lisboa, pela qualidade de vida e por preços mais competitivos do que os praticados na capital ou em Cascais.
O relatório já tinha assinalado anteriormente que o Oeste deixou de ser visto apenas como mercado de segunda residência para assumir um papel crescente enquanto destino residencial.
Cascais mantém um dos mercados mais internacionalizados do país. Mais de oito em cada dez compradores (81,3%) são estrangeiros, destacando-se brasileiros, russos e norte-americanos.
De acordo com o estudo, trata-se de um dos mercados onde é mais evidente a diversificação das nacionalidades, refletindo o posicionamento internacional do concelho.
Algarve continua a ser a referência
O Algarve permanece como a região com maior peso do investimento estrangeiro.
Na Quinta do Lago e em Vale do Lobo, cerca de 80% dos compradores são internacionais, sobretudo provenientes do Reino Unido e da Irlanda, seguidos por Alemanha, Bélgica e Países Baixos.
Também Vilamoura mantém uma forte procura externa, com os compradores alemães, neerlandeses e belgas entre os mais representativos.
Para Margarita Oltra, Regional Manager da Engel & Völkers, a principal mudança não está apenas no volume de investimento estrangeiro, mas na sua diversificação.
“Portugal continua a afirmar-se como um destino imobiliário de referência à escala global, mas aquilo que hoje distingue verdadeiramente o mercado é a sua diversidade. Cada região oferece uma proposta de valor própria e consegue atrair perfis diferentes de compradores“, afirma.
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