Habitação

Quase metade das famílias tem dificuldades com a habitação

Março 17, 2026 · 11:10 am
Imagem de Julian Hacker de Pixabay

A situação financeira das famílias portuguesas voltou a agravar-se, com um número crescente de agregados a enfrentar dificuldades para cumprir despesas essenciais em 2025. De acordo com o mais recente barómetro da DECO PROteste, 17% das famílias encontram-se atualmente em situação de sufoco financeiro, o valor mais elevado desde o início desta monitorização, em 2018.

Os dados agora divulgados revelam ainda que quase quatro em cada dez agregados familiares têm dificuldades em suportar despesas básicas, sinalizando que a melhoria recente de alguns indicadores económicos não foi suficiente para aliviar a pressão sobre os orçamentos domésticos.

A habitação surge também como um dos principais fatores de pressão: 46% dos cerca de 5.600 agregados inquiridos em 2025 admitem ter dificuldades em pagar despesas relacionadas com a casa, evidenciando o peso crescente deste encargo no orçamento familiar.

Descida da inflação e juros não aliviaram as famílias

Apesar da desaceleração da inflação e da redução das taxas de juro no crédito à habitação, o impacto no rendimento disponível das famílias foi limitado. Pelo contrário, o barómetro aponta para um agravamento generalizado das dificuldades financeiras no quotidiano.

Entre os encargos que mais pesam nos orçamentos familiares, destacam-se os gastos com o automóvel, considerados difíceis de suportar por 51% dos agregados. Seguem-se as férias grandes (50%), os tratamentos de saúde oral (46%) e a compra de óculos ou aparelhos auditivos (42%).

Também a alimentação continua a pressionar as famílias: 40% dos inquiridos admitem dificuldades em suportar despesas com carne, peixe ou alternativas vegetarianas.

Lazer e vida social também entram em esforço

As dificuldades não se limitam às despesas essenciais. O estudo mostra que atividades associadas ao lazer e à vida social passaram também a representar um peso significativo no orçamento das famílias.

Ir a restaurantes ou bares, fazer manutenção da casa, realizar pequenas escapadinhas de fim de semana ou comprar roupa são alguns dos gastos cada vez mais difíceis de suportar.

Mesmo o acesso à cultura, como concertos, cinema, teatro ou visitas a museus, é apontado como financeiramente exigente por cerca de um terço dos agregados, refletindo a crescente compressão do rendimento disponível.

Índice atinge mínimo desde 2018

O agravamento das dificuldades financeiras está também refletido no Índice de Capacidade Financeira da DECO PROteste, que mede a capacidade das famílias para fazer face às despesas essenciais numa escala de 0 a 100.

Em 2025, o índice caiu para 41,6 pontos, face aos 46,2 registados em 2024, atingindo o valor mais baixo desde o arranque do estudo.

A análise regional revela assimetrias relevantes. Os Açores registam o índice de capacidade financeira mais baixo, evidenciando maiores dificuldades entre os agregados locais. No território continental, os distritos da Guarda e de Aveiro destacam-se pela maior proporção de famílias em situação de fragilidade financeira.

O estudo aponta ainda para um impacto mais acentuado em famílias monoparentais e agregados mais numerosos, que enfrentam maiores desafios para equilibrar o orçamento.

Mais de 5.500 famílias analisadas

O Barómetro da DECO PROteste analisa anualmente a capacidade das famílias portuguesas para suportar despesas em áreas essenciais como alimentação, habitação, saúde, educação, mobilidade e lazer.

A edição mais recente baseia-se em 5.546 respostas válidas, recolhidas entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, permitindo traçar um retrato atualizado das principais pressões financeiras que afetam os agregados familiares em Portugal.

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