Habitação

Quanto pode realmente subir a sua renda em 2026? Faça as contas

Dezembro 18, 2025 · 10:04 am
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Quanto vão subir as rendas em 2026 é uma das principais dúvidas de quem vive em casa arrendada. A resposta já é conhecida para a maioria dos contratos: as rendas podem aumentar 2,24% no próximo ano, de acordo com os dados definitivos da inflação divulgados em setembro pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto, para alguns inquilinos, o impacto poderá ser diferente, sobretudo nos casos em que as rendas não tenham sido atualizadas nos últimos anos.

A variação média do índice de preços no consumidor, excluindo a habitação, registada nos 12 meses até agosto, foi de 2,24%, e é este valor que serve de base ao coeficiente de atualização anual das rendas, nos termos do Novo Regime do Arrendamento Urbano (NRAU).

Contudo, como a atualização das rendas não é automática nem obrigatória, o senhorio pode optar por não aplicar qualquer aumento num determinado ano. Nesses casos, poderá fazê-lo mais tarde, acumulando os coeficientes de atualização dos últimos anos, até um máximo de três, o que pode resultar num aumento superior a 11% em 2026.

Ainda assim, esta atualização só pode ser aplicada após decorrido pelo menos um ano desde o início do contrato ou desde a última atualização da renda.

Sempre que exista atualização, esta deve ser comunicada por escrito (carta registada com aviso de receção ou entregue em mão com assinatura do inquilino), com uma antecedência mínima de 30 dias, e aplica-se tanto a arrendamentos urbanos como rurais, salvo disposição contratual diferente.

Como calcular o novo valor a pagar

O coeficiente de atualização de rendas para 2026 será de 1,0224. Na prática, isto significa que por cada 100 euros de renda, o aumento será de 2,24 euros.

A fórmula é simples:


Renda atual x Coeficiente de atualização = Valor a pagar em 2026


Tomemos como exemplo uma renda de 700 euros para fazer os cálculos.

700 euros x 1,0224 = 715,68 euros

Na prática, o coeficiente de 2,24% significa que uma renda de 700 € terá um acréscimo de cerca de 15,68€ por mês; uma renda de 1.000 €, um aumento de 22,4€ mensais.

Para saber quanto pode ficar a pagar a partir de janeiro, multiplique o valor atual da sua renda por 1,0224.

Renda atual × 1,0224 = nova renda

E se a renda não tiver sido atualizada nos últimos anos?

O valor do aumento pode ser mais significativo nos casos em que o senhorio não tenha atualizado a renda nos últimos três anos. A lei permite que sejam aplicados, de forma cumulativa, os coeficientes entretanto publicados, desde que cumpra os prazos e a comunicação legalmente exigida.

Recorde-se que:


  • em 2024, a atualização foi de 6,94%, o valor mais elevado dos últimos 30 anos;

  • em 2025, o coeficiente fixou-se nos 2,16%.

  • Em 2026, o coeficiente é de 2,24%.


Cálculo passo a passo (renda de 700€ como exemplo) 


  1. Atualização com o coeficiente de 2024
    700 € × 1,0694 = 748,58 €

  2. Atualização com o coeficiente de 2025
    748,58 € × 1,0216 ≈ 764,75 €

  3. Atualização com o coeficiente de 2026
    764,75 € × 1,0224 ≈ 781,88 €


Portanto, tomando como exemplo uma renda de 700 euros que se manteve inalterada, a aplicação conjunta dos coeficientes de atualização de 2024, 2025 e 2026 resulta num aumento de 11,7%. Nesse cenário, a renda sobe cerca de 82 euros, passando para aproximadamente 782 euros mensais.

Assim, numa renda de 700 euros que não tenha sido atualizada, a aplicação cumulativa dos coeficientes de 2024 (1,0694), 2025 (1,0216) e 2026 (1,0224) resulta numa subida agregada de cerca de 81,88 euros, fixando a nova renda em aproximadamente 781,88 euros por mês.

No seu caso, o cálculo faz-se da mesma forma: substitua os 700 euros pelo valor da sua renda e aplique os respetivos coeficientes.

Rendas antigas também podem ser atualizadas

Com a entrada em vigor da lei do Mais Habitação, os contratos de arrendamento anteriores a 1990 passaram igualmente a poder ser atualizados com base no coeficiente de inflação média sem habitação apurada em agosto.

Assim, estas rendas podem ser atualizadas em 2,24%, desde que já tenham decorrido 12 meses desde a última atualização.

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