Créditos

Prestação da casa volta a subir: sabe quanto vai pagar a mais?

Abril 30, 2026 · 3:37 pm
Foto de Freguesia de Estrela na Unsplash

Maio traz um novo aumento na prestação da casa para milhares de famílias com crédito à habitação a taxa variável. A subida é transversal aos contratos indexados à Euribor a três, seis e 12 meses e marca o maior agravamento das prestações em mais de um ano.

Segundo simulações da Deco Proteste/Contas e Direitos feitas para a Lusa, o impacto já é claro: num cenário de um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos e um spread de 1%, todas as prestações sobem no próximo mês, com especial destaque para os contratos a 12 meses.

A subida que mais pesa nos contratos a 12 meses

É neste prazo que o aumento é mais expressivo. Os créditos indexados à Euribor a 12 meses passam a pagar cerca de 694,42 euros por mês, mais 50,39 euros face à última revisão.

Nos contratos a seis meses, a prestação sobe para 669,72 euros, o que representa um agravamento de 28,62 euros. Já os contratos a três meses registam um aumento mais moderado, mas ainda assim significativo: passam a pagar 646,65 euros, mais 11,98 euros do que na revisão anterior.

Euribor volta a subir em todos os prazos

A pressão sobre as prestações resulta diretamente da evolução das taxas Euribor em abril, que inverteram a recente tendência de alívio.

As taxas médias subiram em todos os prazos:


  • Euribor a 12 meses: de 2,143% para 2,747%

  • Euribor a 6 meses: de 2,107% para 2,454%

  • Euribor a 3 meses: de 2,028% para 2,175%


Este movimento traduz-se agora no aumento das prestações que vão ser pagas já em maio.

Sinais de inversão no ciclo de alívio

A Deco Proteste já tinha alertado, em março, para a possibilidade de subida das prestações no curto prazo, sublinhando que o impacto poderia sentir-se “já no próximo mês”, mesmo num contexto em que o Banco Central Europeu mantinha uma postura de estabilidade nas taxas diretoras.

O BCE decidiu esta quinta-feira manter as taxas de juro inalteradas em 2%, pela sétima vez consecutiva, considerando que continua “bem posicionado para navegar a atual incerteza” devido à guerra no Médio Oriente.

Ainda assim, a evolução da Euribor mostra que o mercado monetário já está a antecipar outros cenários e isso está a refletir-se diretamente nas prestações da casa.

Impacto que volta a pesar no orçamento familiar

Depois de vários meses de alguma estabilização, o regresso das subidas nas prestações volta a colocar pressão sobre o orçamento das famílias.

No caso dos contratos mais expostos à variação da Euribor, o impacto não é apenas imediato: é também acumulado, prolongando-se nas próximas revisões e ampliando o peso no orçamento mensal.

Num contexto em que os preços continuam sob pressão e a incerteza económica se mantém, incluindo fatores externos como a evolução da situação no Médio Oriente, ganha ainda mais relevância a questão central: até quando se manterá esta tendência de subida no crédito à habitação e qual será, no final, o verdadeiro custo desta incerteza para as famílias?

Fonte: Lusa/ Redação

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