Dinheiro
Preços das casas travam, mas ainda sobem 16,5%
Setembro 22, 2026 · 12:25 pm
Foto de Yury Strukau na Unsplash
Os preços da habitação continuam a aumentar, embora a um ritmo mais lento. No segundo trimestre de 2026, o Índice de Preços da Habitação (IPHab) subiu 16,5% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo os dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
A subida ficou 1,3 pontos percentuais abaixo da registada no trimestre anterior e representa a segunda desaceleração trimestral consecutiva. Mas desacelerar não significa que as casas estejam a ficar mais baratas: significa apenas que os preços continuam a aumentar, embora com menos intensidade.
O mercado apresenta, aliás, um contraste expressivo. Entre abril e junho, venderam-se menos 6,4% de habitações, mas o valor total das transações cresceu 4,2%, atingindo 10,7 mil milhões de euros.
Casas usadas puxam pelos preços
A diferença entre habitações novas e existentes continua a ser significativa.
Os preços das casas existentes aumentaram 18% em termos homólogos, enquanto os imóveis novos ficaram 12,3% mais caros. As habitações usadas foram, assim, as que mais contribuíram para a subida do índice.
Na comparação com os primeiros três meses do ano, as diferenças são menores: os preços aumentaram 3,6% nas habitações existentes e 3,5% nas novas.
No conjunto do mercado, o Índice de Preços da Habitação avançou 3,6% entre o primeiro e o segundo trimestre de 2026, ligeiramente abaixo dos 3,8% registados nos três meses anteriores.
Vendem-se menos casas pelo terceiro trimestre consecutivo
Entre abril e junho foram transacionadas 40.142 habitações, menos 6,4% do que no mesmo período de 2025.
Este foi já o terceiro trimestre consecutivo com uma redução homóloga das vendas. O número de transações tinha diminuído 4,7% no último trimestre de 2025 e 8,7% no primeiro trimestre deste ano.
A maioria dos imóveis vendidos (32.307, equivalentes a 80,5% do total), correspondia a habitações existentes. As vendas deste tipo de imóvel recuaram 6,6%. Já em relação a casas novas foram contabilizadas 7.835 transações, menos 5,7% do que um ano antes.
Apesar da redução em termos homólogos, o mercado recuperou algum dinamismo face ao início do ano. Comparativamente com o primeiro trimestre, o número de casas vendidas aumentou 6,4%.
Menos vendas, mas mais dinheiro movimentado
A redução do número de negócios não se traduziu numa quebra do montante movimentado. As transações realizadas no segundo trimestre somaram 10,7 mil milhões de euros, mais 4,2% do que no mesmo período de 2025.
Em termos aproximados, foram movimentados mais 430 milhões de euros, apesar de terem sido vendidas menos cerca de 2.750 habitações.
As casas existentes representaram 8,1 mil milhões de euros, mais 6,1% em termos homólogos. Já o valor das transações de habitações novas diminuiu 1,6%, para 2,6 mil milhões de euros. Em suma, a diminuição da quantidade de casas vendidas não impediu o crescimento do valor global do mercado.
Famílias compraram 87% das habitações
As famílias foram responsáveis pela compra de 34.935 habitações, equivalentes a 87% de todas as transações realizadas entre abril e junho.
Estas aquisições representaram um investimento de 9,3 mil milhões de euros, ou 86,6% do montante total movimentado. Em relação ao mesmo período de 2025, as famílias compraram menos 7,3% de casas, mas gastaram mais 3,6%.
A comparação com o trimestre anterior mostra uma recuperação: o número de compras realizadas pelas famílias aumentou 6,4% e o respetivo valor subiu 8,1%.
Compradores estrangeiros reduzem aquisições
Os compradores com domicílio fiscal fora de Portugal adquiriram 1.890 habitações, correspondentes a 4,7% do total.
Este número representa uma descida homóloga de 10,3%, depois de uma redução ainda mais acentuada, de 15,6%, no primeiro trimestre.
As aquisições dividiram-se quase em partes iguais entre compradores domiciliados na União Europeia, com 946 transações, e compradores provenientes dos restantes países, com 944.
A grande maioria das vendas, 38.252 transações, ou 95,3% do total, teve como compradores pessoas ou entidades com domicílio fiscal em Portugal.
Madeira e Algarve registam as maiores quebras nas vendas
Todas as regiões do país registaram uma diminuição homóloga do número de casas vendidas.
As descidas mais ligeiras verificaram-se no Alentejo, com uma redução de 0,8%, e na Península de Setúbal, com 2,1%. No extremo oposto ficaram a Região Autónoma da Madeira, onde as transações caíram 15,2%, e o Algarve, com uma quebra de 12,4%.
Apesar de se venderem menos casas em todo o país, o valor das transações continuou a aumentar na maioria das regiões. Apenas o Algarve e a Madeira registaram uma evolução negativa.
Os crescimentos mais elevados ocorreram no Oeste e Vale do Tejo, Centro, Açores, Península de Setúbal e Alentejo, com aumentos entre 5,5% e 20,2%.
O mercado está a arrefecer?
Os dados mostram uma moderação do crescimento dos preços e uma redução persistente do número de vendas. Ainda assim, não se pode concluir que o mercado tenha entrado numa trajetória de queda.
No segundo trimestre, as casas continuaram a ficar substancialmente mais caras do que um ano antes e o valor total movimentado voltou a aumentar.
Por enquanto, o retrato é sobretudo este: vendem-se menos habitações, mas os compradores continuam a pagar mais por elas.
Fonte: Lusa/ Redação