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Portugal lidera subida de preços das casas na UE

Julho 7, 2025 · 3:30 pm
Foto de Vadim Babenko na Unsplash

Portugal voltou a destacar-se no panorama europeu da habitação. De acordo com os dados divulgados esta sexta-feira pelo Eurostat, os preços das casas no país aumentaram 16,3% no primeiro trimestre de 2025 face ao mesmo período do ano anterior, a maior subida entre todos os Estados-membros da União Europeia (UE). Este valor é mais do que o triplo do crescimento médio da Zona Euro (5,4%) e muito acima da média da UE (5,7%). Além disso, esta variação de 16,3% corresponde a um máximo histórico nos registos do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Também as rendas habitacionais registaram um aumento expressivo: 5,95% no mesmo período, colocando Portugal entre os países com maior escalada nos preços do arrendamento, apenas atrás da Eslováquia, Estónia e Letónia. Para comparação, a média da UE foi de 3,2% e da Zona Euro 2,9%.

Crescimento muito acima da média europeia

Desde 2010, os preços das casas em Portugal mais do que duplicaram (+130%), o que coloca o país entre os que registaram maiores valorizações imobiliárias da última década, ao lado da Hungria, Estónia, Lituânia e República Checa. No mesmo período, as rendas em Portugal subiram 45%, também acima da média europeia (27,8%).

Este crescimento não é recente nem pontual. Entre 2020 e o primeiro trimestre de 2025, o preço das casas em Portugal aumentou em média 11,7% ao ano, mais do dobro da média da Zona Euro (4,4%). No caso das rendas, o crescimento médio anual foi de 3,2% em Portugal, comparado com 1,8% na Zona Euro.

Pressão persistente no mercado habitacional

A subida dos preços coincide com a entrada em vigor de novas medidas de apoio à compra da primeira casa por jovens, como a garantia pública, mas os especialistas apontam para um problema mais profundo e estrutural.

Desde a crise financeira de 2008-2010 e a subsequente intervenção da troika, o mercado habitacional português tem sido pressionado e as políticas como os vistos gold, benefícios fiscais para estrangeiros e o crescimento do alojamento local atuam do lado da procura. Ao mesmo tempo, acentuou-se a falta de oferta de habitação acessível para residentes.

Segundo dados do Eurostat, cerca de 8% das famílias com crianças em Portugal gastam mais de 40% do rendimento disponível com custos de habitação, uma das taxas mais elevadas da Zona Euro, apenas superada pela Grécia, Alemanha e Espanha.

O retrato europeu

No conjunto da União Europeia, os preços das casas subiram 57,9% entre 2010 e o primeiro trimestre de 2025. As rendas cresceram 27,8% no mesmo período. No entanto, os dados revelam disparidades significativas entre países: na Hungria, os preços triplicaram (+260%), e na Estónia cresceram +238%. Itália foi o único Estado-membro onde os preços da habitação diminuíram desde 2010 (-4%).

Já no mercado de arrendamento, os maiores aumentos desde 2010 ocorreram na Estónia (+220%), Lituânia (+184%) e Hungria (+124%). Apenas a Grécia registou uma descida nas rendas (-11%).

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