Dinheiro
Portugal ganha 6 mil milionários à boleia do imobiliário
Julho 1, 2026 · 11:52 am
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Portugal terminou 2025 com cerca de 181 mil milionários, mais 6 mil do que no ano anterior. Apesar do crescimento das grandes fortunas, o património dos portugueses continua fortemente assente em ativos não financeiros, categoria onde o imobiliário assume tradicionalmente um peso dominante.
Segundo o Global Wealth Report 2026, divulgado pelo banco suíço UBS, o país conta agora com cerca de 181 mil pessoas com património superior a um milhão de dólares (cerca de 876 mil euros), um aumento de 3,4%, acima da média mundial, que se fixou em 1,5%, num ano em que a riqueza pessoal global registou o maior crescimento desde 2017.
Uma riqueza que não cresce para todos
Mas este crescimento das grandes fortunas não significa que os portugueses, em geral, estejam mais ricos. No mesmo período, a riqueza mediana por adulto (o indicador que melhor reflete o património da população) caiu 5,4% em termos reais, passando de 81.353 dólares em 2024 para 76.978 dólares em 2025. Nos últimos cinco anos, essa riqueza diminuiu 4,4%, quando ajustada à inflação e expressa em moeda local.
O relatório coloca Portugal na 26.ª posição entre os 56 mercados analisados em termos de riqueza mediana por adulto. Já a riqueza média por adulto ascendeu a 195.761 dólares, uma diferença que evidencia a desigual distribuição do património: enquanto a média é influenciada pelas grandes fortunas, a mediana retrata melhor a riqueza efetivamente detida pela maioria da população.
O "betão" continua a ser o ativo preferido
Um dos aspetos que mais distingue Portugal de outros países é a composição da riqueza das grandes fortunas. Segundo o UBS, apenas 37% dos ativos brutos dos milionários portugueses correspondem a ativos financeiros, uma das proporções mais baixas entre os mercados em análise.
Isto significa que a maior parte do património está concentrada em ativos não financeiros, categoria que inclui o imobiliário e que continua a assumir um peso determinante na riqueza das famílias portuguesas.
A realidade nacional contrasta com a de economias como os Estados Unidos, onde quase 79% da riqueza dos milionários está aplicada em ativos financeiros. Também no Japão (68,9%), Reino Unido (55,9%), China (51,9%), Itália (50,9%) e França (46,9%) o peso dos investimentos financeiros é bastante superior ao registado em Portugal.
Entre os países analisados, apenas Espanha (31,4%) e Grécia (36,1%) apresentam uma menor proporção de ativos financeiros no património dos milionários.
Mercado imobiliário ajuda a explicar a riqueza
Embora o relatório não estabeleça uma relação direta entre a valorização do mercado imobiliário e o aumento do número de milionários, os dados reforçam o peso que os ativos não financeiros continuam a ter na riqueza em Portugal.
Nos últimos anos, a forte valorização da habitação contribuiu para aumentar o valor patrimonial de milhares de proprietários, num mercado marcado pela escassez de oferta e pela subida continuada dos preços. A elevada taxa de proprietários e a preferência histórica pelo investimento em imóveis ajudam a explicar porque continua a ser o “betão” um dos principais pilares da riqueza nacional.
Riqueza mundial cresce ao ritmo mais elevado desde 2017
O relatório do UBS revela ainda que a riqueza pessoal mundial aumentou 10,8% em 2025, o maior crescimento desde 2017 e o terceiro ano consecutivo de expansão.
A Europa, o Médio Oriente e África registaram a evolução mais expressiva, com um aumento de 17,5%, seguindo-se o continente americano (8,5%) e a região Ásia-Pacífico (5,9%).
Segundo o banco suíço, a valorização dos mercados financeiros e dos restantes ativos, a par da desvalorização do dólar, contribuíram para este crescimento.
No conjunto dos 56 mercados analisados, surgiram cerca de um milhão de novos milionários em 2025, o equivalente a mais de 2.600 por dia. Quase metade concentrou-se nos Estados Unidos, país que, juntamente com a China continental, reúne mais de metade da riqueza pessoal mundial.