Os estrangeiros estão a comprar menos casas em Lisboa, mas estão a gastar mais em cada negócio. Em 2025, o número de habitações adquiridas por compradores internacionais na Área de Reabilitação Urbana (ARU) da capital caiu 12%, para mínimos desde 2017. Ainda assim, o investimento manteve-se praticamente estável, num sinal de que a procura estrangeira pode estar menos ativa, mas continua focada em imóveis de valor elevado.
Segundo dados da Confidencial Imobiliário, compradores de 64 nacionalidades adquiriram 1.390 habitações na ARU de Lisboa em 2025, menos 180 casas do que no ano anterior. Trata-se do nível de atividade internacional mais baixo dos últimos oito anos.
Apesar do recuo no número de operações, o capital investido caiu apenas 3%, fixando-se em 879,5 milhões de euros, face aos 906,5 milhões registados em 2024. O aparente paradoxo explica-se por um fator simples: cada compra passou a valer mais dinheiro.
O “ticket médio” dos investidores internacionais subiu 10% num só ano, passando de 575,6 mil euros para 631,8 mil euros por transação. Na prática, os compradores estrangeiros adquiriram menos casas, mas mostraram maior disponibilidade financeira para investir em imóveis mais caros, um indicador que ajuda a explicar a resiliência dos preços nas zonas mais procuradas da cidade.
Americanos lideram compras e investimento
Os compradores provenientes dos Estados Unidos da América consolidaram a posição de principal origem do investimento estrangeiro no mercado residencial da ARU de Lisboa. Em 2025, os compradores norte-americanos representaram 16% das aquisições internacionais, liderando à frente de França e Brasil (ambos com 11%), Reino Unido (7%), China (6%) e Alemanha (5%).
Quando se olha para o dinheiro investido, a liderança torna-se ainda mais evidente: 20% do capital estrangeiro aplicado na ARU teve origem nos EUA, seguido do Brasil (12%), França (11%), Reino Unido (8%), Alemanha (5%) e China (4%).
Os números parecem confirmar uma tendência que o mercado já vinha a sinalizar: o investidor internacional está mais seletivo, mas continua a privilegiar Lisboa, sobretudo os segmentos premium e as zonas históricas.
Fonte: Confidencial Imobiliário
As freguesias que continuam a conquistar estrangeiros
A geografia das preferências também mudou pouco. As freguesias da Estrela, Arroios, Misericórdia, Santo António e Santa Maria Maior mantiveram-se entre as mais procuradas pelos compradores internacionais, concentrando entre 10% e 12% das aquisições.
Enquanto Santa Maria Maior cresceu 17% nas compras feitas por estrangeiros e a Estrela avançou 10%, sinalizando o reforço da atratividade das zonas históricas e centrais, Arroios registou uma quebra de 13%. Já Misericórdia e Santo António mantiveram níveis de procura relativamente estáveis.
Portugueses ganham peso no mercado
Em sentido contrário, os compradores nacionais reforçaram presença no mercado habitacional da ARU de Lisboa.
Em 2025, os portugueses aumentaram em 5% o número de aquisições residenciais, totalizando 4.540 transações. Com isso, a sua quota no mercado subiu de 73% para 77%, enquanto o peso dos compradores estrangeiros recuou de 27% para 23%.
Mas há um detalhe importante: embora os portugueses comprem mais, continuam a investir menos por imóvel.
O valor médio das operações nacionais caiu 11%, fixando-se em 444,2 mil euros por casa, cerca de 30% abaixo do valor médio investido pelos compradores internacionais.
No total, o mercado residencial da ARU de Lisboa terminou 2025 praticamente estável em número de transações (+1%), movimentando 2.897,6 milhões de euros, ainda assim uma ligeira descida de 3% face ao ano anterior.
A conclusão é menos óbvia do que os números à primeira vista sugerem: há menos estrangeiros a comprar casa na capital portuguesa, mas os que o fazem continuam a ter músculo financeiro suficiente para influenciar o mercado, sobretudo nos segmentos de maior valor.