Patrícia Barão
Partner Residential na Dils Portugal
Opinião
Partner Residential na Dils Portugal
Opinião
No imobiliário, nada é mais valioso do que confiança. E, durante anos, deixámos espaço para que a informalidade ganhasse terreno: agentes sem licença, modelos híbridos sem enquadramento, processos pouco rigorosos e um mercado onde nem sempre era fácil perceber quem fazia o quê. O resultado foi inevitável: consumidores menos protegidos, concorrência desigual e decisões financeiras tomadas com informação insuficiente.
Num mercado onde cada decisão pode comprometer anos de poupança e estabilidade financeira, tolerar esta realidade deixou de ser admissível. Importa recuperar uma ideia essencial: regular não é limitar, é qualificar. Regras bem desenhadas não servem para complicar, servem para elevar o padrão. Proteger quem compra, quem vende e quem arrenda. Valorizar profissionais que fazem o seu trabalho com ética. Criar um ecossistema onde a transparência não dependa da sorte, mas sim da norma. Para isso, é preciso ouvir quem está no terreno, envolver quem legisla e garantir que todos os cidadãos entendem claramente cada passo de uma transação.
"Importa recuperar uma ideia essencial: regular não é limitar, é qualificar. Regras bem desenhadas não servem para complicar, servem para elevar o padrão. "
E este momento é decisivo. O reforço regulatório anunciado pelo Governo chega numa altura em que o setor está mais complexo, mais exigente e mais exposto. A mediação profissional formada, certificada e sujeita a responsabilidades é hoje o principal garante de previsibilidade e clareza no mercado. Não basta “ter experiência”; é preciso ter competências, formação contínua e compromisso com códigos de conduta alinhados com padrões internacionais.
Regras claras, previsíveis e bem fiscalizadas não são um entrave: são um acelerador. Reduzem ambiguidades, protegem o consumidor e tornam a concorrência mais justa. E é aqui que a transparência assume o seu papel estratégico. Cabe ao mediador validar documentação, antecipar riscos e assegurar que todas as partes tomam decisões informadas.
"Reforçar a transparência não é apenas uma ambição do setor imobiliário, é um compromisso público. Ganha o consumidor, ganham as empresas, ganha a economia."
A supervisão também precisa de evoluir. Ferramentas tecnológicas, dados e mecanismos preventivos devem ser usados para identificar riscos antes que se tornem problemas e para incentivar quem faz bem a diferenciar-se de quem insiste em atalhos.
Se queremos um mercado mais justo, ético e competitivo, precisamos de uma verdadeira colaboração entre mediadores, reguladores, municípios, promotores e decisores políticos. Só assim conseguimos legislação clara, aplicável e com impacto real no dia a dia de quem compra, vende ou arrenda.
Reforçar a transparência não é apenas uma ambição do setor imobiliário, é um compromisso público. Ganha o consumidor, ganham as empresas, ganha a economia. E é agora, não depois, que temos a oportunidade de transformar o mercado imobiliário português num setor verdadeiramente profissional, claro e confiável.