João Miguel Louro

Managing Broker da eXp Realty

Opinião

O Método ETET: Como utilizo a IA sem perder a minha identidade

22 Maio, 2026 · 11:27

Quando o assunto é escrever — algo que faço mensalmente aqui com muito gosto, especialmente sobre Inteligência Artificial (IA) — tenho uma regra de ouro: não quero que a máquina escreva por mim.

Bem sei que posso treiná-la para replicar o meu estilo. Mas a verdade é que, no estado atual da tecnologia, escrever um prompt suficientemente detalhado para obter o resultado que pretendo demora-me mais tempo do que o próprio ato de escrever.

No setor imobiliário, tal como em muitas outras áreas, observo hoje quatro perfis bem definidos quanto ao uso da IA:


  1. Os resistentes: Aqueles que a rejeitam por completo.

  2. Os curiosos: Que a utilizam apenas para obter informação pontual.

  3. Os rudimentares: Que, por não dominarem a arte das instruções (prompts), obtêm resultados genéricos.

  4. Os dependentes: Que delegam tudo na máquina, perdendo a sua voz própria.



"Num mercado imobiliário onde a confiança é tudo, a IA deve ser uma ferramenta de foco e clareza, e não apenas mais um gerador de ruído no já saturado espaço digital."


Eu decidi seguir um “caminho do meio”, que batizei com a sigla ETET. É um fluxo de trabalho que garante eficiência sem abdicar do toque humano:


  • E (Eu): Escrevo o artigo original, garantindo que as ideias e a opinião são minhas.

  • T (Tu/Gemini): A IA revê o texto, sugere melhorias gramaticais e ajuda a adaptar o tom ao canal.

  • E (Eu): Volto ao texto para uma revisão crítica e faço as alterações necessárias.

  • T (Tu/Íris): A nossa coordenadora de Marketing faz a revisão final e a validação estratégica.


Será esta a solução ideal? No mundo da tecnologia, opiniões há para todos os gostos. Para mim, a utilização da IA deve estar sempre ancorada na produtividade e na eficácia.

Isto pressupõe dois compromissos: primeiro, uma avaliação crítica regular do que a máquina nos entrega; segundo, a predisposição para mudar se sentirmos que a qualidade está a ser sacrificada. Caso contrário, por mais espetacular que a IA pareça, de pouco serve.

Num mercado imobiliário onde a confiança é tudo, a IA deve ser uma ferramenta de foco e clareza, e não apenas mais um gerador de ruído no já saturado espaço digital.

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