João Oliveira

CEO da Realty One Group Portugal

Opinião

IA no imobiliário: o presente está a testar quem está (realmente) preparado para o futuro

2 Junho, 2025 · 13:33

O mercado imobiliário está a mudar e rapidamente. Não porque alguém decidiu que “agora é moda falar de tecnologia”, mas porque a tecnologia está, de facto, a resolver problemas reais, a poupar tempo e a desafiar os métodos tradicionais.

A Inteligência Artificial (IA) não é um conceito abstrato. É uma ferramenta. E, sejamos honestos, é uma ferramenta que já está a separar profissionais que se sabem mover dos que não sabem.

No início do ano, aconteceu a mais recente edição do INMAN Connect, e houve dois momentos que marcaram todos os que por lá passaram (e até mesmo os que, como eu, não estiveram presentes, mas souberam das novidades).

ChatGPT ao telefone? Sim, e funciona melhor do que muitos pensam.

Ver uma pessoa a conversar com o ChatGPT por chamada telefónica, com toda a naturalidade, pode ser desconcertante, mas, para mim, é-o no bom sentido.

O que antes parecia ficção científica é agora uma ferramenta ao alcance de qualquer consultor com um smartphone. Esqueçam os textos escritos, esqueçam o “copiar e colar”. Agora, é apenas preciso voz para se fazer perguntas e obter respostas.

E o mais interessante? A conversa é, de facto, útil.

Nesta conferência, o orador pediu ao ChatGPT que reformulasse propostas, desse sugestões de marketing e fizesse simulações de pitch.

Como era de esperar, ou não, a IA respondeu a tudo de forma exímia, em tempo real, com um grau de fluidez surpreendente.

Para muitos isto pode ser um bicho de sete cabeças, demasiada inovação. E atenção, não digo que não seja inovar. Mas, muito mais do que isso, isto é pragmatismo, produtividade, e, acima de tudo, um alerta: quem continuar a achar que a IA é “uma coisa de geeks ou hackers” está a abdicar, voluntariamente, de uma vantagem competitiva.


"A maioria dos agentes não precisa de dominar cinco ferramentas de IA. Precisa de encontrar uma que faça sentido no seu processo e usá-la com consistência e inteligência."


Uma imagem vale mil palavras, mas e se for um vídeo gerado por IA?

A segunda inovação apresentada tocou num ponto sensível: a apresentação de imóveis. Todos sabemos que uma boa imagem vende. Mas e se for possível transformar essa imagem num vídeo realista, com vida, com contexto, com emoção, sem uma única câmara, sem um editor de vídeo, sem horas perdidas?

Foi exatamente isso que mostraram. Uma fotografia estática de um campo de basquetebol tornou-se num vídeo onde um jovem jogava no espaço. E atenção não era uma animação amadora. Era imersivo, convincente e, mais importante, era acessível a “todos, todos, todos”.

Se esta tecnologia já está disponível, então qual é a desculpa para continuarmos a apresentar imóveis com conteúdo genérico e pouco apelativo? Nenhuma. A diferença está entre quem inova… e quem repete.

O talento, a inspiração soma, mas a atitude multiplica

Uma das frases mais repetidas no evento foi: “não é preciso dominar todas as ferramentas, é preciso começar por uma.” Concordo plenamente.

A maioria dos agentes não precisa de dominar cinco ferramentas de IA. Precisa de encontrar uma que faça sentido no seu processo e usá-la com consistência e inteligência. Precisa de entender que essa app o pode libertar de tarefas repetitivas e dar espaço para fazer o que (ainda) nenhuma IA faz bem: criar relações humanas, interpretar emoções, construir confiança.

E aqui está o ponto-chave: a IA não substitui talento. Amplifica-o. Mas também expõe a falta dele.

A tecnologia não vai roubar o lugar de quem é bom. Vai é acelerar a queda de quem não quer evoluir.


"A grande diferença nos próximos anos não estará entre quem usa ou não usa IA. Estará entre quem a sabe aplicar e quem a usa mal."


O comboio já arrancou. E não vai abrandar.

A democratização da IA já está a reescrever as regras. E quem espera que o setor pare para que todos apanhem o ritmo, está a iludir-se. Não temos de ser programadores, nem investir milhares de euros em formação técnica. Mas temos, sim, de ser humildes o suficiente para aprender e ágeis o suficiente para aplicar.

A grande diferença nos próximos anos não estará entre quem usa ou não usa IA. Estará entre quem a sabe aplicar e quem a usa mal, sem critério, sem intenção, sem estratégia.

O imobiliário continuará a ser feito de pessoas. Mas será cada vez mais liderado por quem entende que a tecnologia não vem tirar valor ao humano, vem libertá-lo para aquilo que só ele sabe fazer.

E isso, na minha opinião, é a verdadeira revolução.

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