Pedro Mendes

Expansion Manager Zome

Opinião

Franchisados, o primeiro “cartão de visita” das marcas

16 Setembro, 2025 · 12:03

Em Portugal, a grande maioria das empresas do setor imobiliário funciona em regime de franchising. Tal não acontece por acaso. Este modelo tem-se afirmado como um dos motores mais poderosos da economia nacional e os números têm falado por si e mostram a relevância deste modelo de negócio para o nosso país. O franchising representa cerca de 8,3% do PIB, garante mais de 186 mil postos de trabalho e só em 2023 registou um crescimento recorde de quase 30%.

Olhando para o setor imobiliário, o franchising tem uma força ainda mais especial. Por ser um mercado de proximidade, feito de pessoas para pessoas, onde a confiança e o profissionalismo são fundamentais, o franchisado assume um papel determinante.

Ou seja, quem tem um franchising torna-se o rosto da marca naquele território e a ligação entre a visão global da empresa e a realidade local das comunidades. Mas o franchising não é uma via de sentido único.


"O verdadeiro impacto deste modelo, e também o maior desafio, está no alinhamento entre a cultura da empresa com a forma de “estar na vida” e nos negócios de cada franchisado."


Da mesma forma que ajuda a marca a crescer, o franchisador também apoia os seus parceiros de negócio. Desde o acesso a uma marca consolidada, transferência de know-how, apoio tecnológico, ferramentas de marketing, formação contínua ou acompanhamento estratégico, as vantagens de aderir a um franchising são inúmeras. É um ecossistema onde cada parte acrescenta valor e onde o sucesso se constrói de forma partilhada.

Para mim, o verdadeiro impacto deste modelo, e também o maior desafio, está no alinhamento entre a cultura da empresa com a forma de “estar na vida” e nos negócios de cada franchisado. Havendo sintonia, o franchising passa de uma relação estritamente comercial para uma parceria estratégica. Por um lado, o franchisado encontra na marca um veículo para concretizar a sua visão pessoal e empresarial; por outro, a marca ganha um embaixador que reflete os seus valores e projeta a sua reputação.

Tenho o privilégio de ver isto acontecer todos os dias porque tenho a oportunidade de conversar com vários candidatos que procuram muito mais do que um negócio rentável; querem, claro, um projeto que os faça crescer enquanto líderes, que os desafie e lhes permita desenvolver as suas equipas. E a consequência (positiva) desse crescimento, tanto a nível individual como local, é o fortalecimento da nossa rede, da nossa empresa e da nossa marca. Por isso, quando digo que os franchisados são o motor da marca, digo-o com convicção.


"Acredito que o franchising é sobre partilhar a mesma visão, mas multiplicar resultados."


Ao longo da história, marcas como a McDonald’s, The Body Shop ou a 100 Montaditos, que tão bem os jovens portugueses conhecem, mostraram como o franchising pode ser um catalisador de expansão, inovação e proximidade com o consumidor. No imobiliário, a lógica é a mesma. Um franchisado que se sente apoiado é um claro motor de crescimento.

Acredito que o franchising é sobre partilhar a mesma visão, mas multiplicar resultados. Não é por acaso que o crescimento deste setor tem estimulado o aumento de franquias de baixo investimento, até 50 mil euros, permitindo maior acessibilidade a Pequenas e Médias Empresas. Porque o modelo possibilita que cada franchisado seja um empreendedor com identidade própria. Acredito que é a combinação de forças entre a energia individual e a estratégia coletiva que o torna cada vez mais popular.

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