Patrícia Barão
Partner Residential na Dils Portugal/ Presidente da APEMIP
Opinião
Partner Residential na Dils Portugal/ Presidente da APEMIP
Opinião
Comprar casa é um processo com alguma complexidade e, muitas vezes, emocionalmente exigente. O entusiasmo de encontrar o imóvel certo cruza-se com o receio de perder uma oportunidade e com a pressão de um mercado competitivo, onde o tempo de decisão parece cada vez mais curto. É precisamente neste equilíbrio entre razão e emoção que começam muitos dos erros. Por norma, antes de existir uma oportunidade, deve existir preparação. A preparação financeira é um fator de sucesso. E deve ser o ponto de partida.
A base de qualquer decisão sólida começa muito antes da visita ao primeiro imóvel ou sequer de começar a procurar casa: começa na capacidade de poupar. E aqui, a realidade portuguesa continua a ser desafiante. Segundo o mais recente Boletim Económico do Banco de Portugal, cerca de 45% dos portugueses não poupou no último ano. Entre os que o fizeram, uma maioria significativa manteve o dinheiro parado, sem o colocar a render, e apenas uma pequena parte investiu. Recentemente, o INE anunciou também que a taxa de poupança das famílias se situou em torno dos 12% do rendimento disponível, apesar do crescimento do rendimento disponível bruto.
Embora este valor represente uma recuperação face a níveis historicamente baixos, Portugal continua a apresentar uma taxa de poupança significativamente inferior à média europeia, que ronda os 15%. Este desfasamento evidencia uma realidade estrutural: apesar de alguma evolução recente, a cultura de poupança em Portugal continua pouco enraizada quando comparada com outros países europeus.
Estes dados refletem não apenas o impacto do custo de vida, mas também uma cultura de poupança ainda frágil e níveis de literacia financeira que precisam de ser reforçados desde cedo.
"Poupar não é um luxo, mas sim um requisito. Comprar casa, sendo uma das decisões financeiras mais relevantes da vida, exige disciplina, consistência e visão de longo prazo."
É essa preparação que permite avançar com segurança na jornada de compra de casa, nomeadamente assegurar uma entrada inicial, tipicamente entre 10% e 20%, antecipar custos adicionais que podem representar até 10% do valor do imóvel e, sobretudo, garantir que o compromisso mensal não compromete a qualidade de vida nem a capacidade de resposta a imprevistos.
Mas comprar bem não é apenas uma questão de números. É também uma questão de inteligência na decisão. Significa olhar para além do momento e avaliar critérios estruturais como a localização, a qualidade da construção, o contexto envolvente e o potencial de valorização. Ignorar estes fatores pode transformar o que parecia uma oportunidade numa fonte de frustração. Significa, acima de tudo, não comprar no limite e não deixar que a emoção se sobreponha à razão.
É neste contexto que a compra de imóveis em planta ganha relevância como estratégia de investimento. Ao entrar numa fase inicial de desenvolvimento, é possível adquirir um ativo a um preço mais competitivo e acompanhar a sua valorização ao longo do tempo. De certa forma, o imóvel cresce ao ritmo da construção, permitindo capturar valor até ao momento da entrega. A isto somam-se as vantagens de um produto novo, mais eficiente energeticamente e com menores custos de manutenção, alinhado com as exigências atuais de sustentabilidade e conforto. Comprar em planta não é apenas adquirir um imóvel, é construir estabilidade e investir no valor de amanhã.
"Comprar casa é muito mais do que uma transação imobiliária. É um compromisso com o futuro, com a estabilidade e com a vida que queremos construir."
Num processo cada vez mais exigente e muitas vezes complexo, o acesso à informação e ao conhecimento certo faz uma diferença real. A informação é, efetivamente, um valor. A abundância de oferta nos portais imobiliários não elimina a complexidade da decisão. Saber interpretar o mercado, identificar oportunidades que não estão visíveis, avaliar riscos e negociar com critério são fatores que têm impacto direto no resultado financeiro da compra. A diferença entre procurar casa e encontrar a casa certa está, muitas vezes, no acompanhamento especializado. Este suporte permite um acesso a oportunidades off-market, uma avaliação mais criteriosa dos riscos, negociar com experiência, e transformar dados e tendências do mercado em decisões sólidas.
É uma decisão que deixa marca no presente e eco no longo prazo. Por isso, a questão não é apenas quando comprar, mas se essa escolha continuará a fazer sentido daqui a cinco, dez ou vinte anos.