Júlio Quintela
Chief Operations Officer da Zome
Opinião
Chief Operations Officer da Zome
Opinião
Depois de uma década na TomTom a ajudar milhões de pessoas a navegar com precisão, e agora na Zome a liderar equipas que ajudam milhares a tomar uma das decisões mais importantes das suas vidas — onde viver — percebo que há um elo comum: o poder dos dados geoespaciais para orientar decisões mais inteligentes.
O mercado imobiliário deixou de ser apenas sobre propriedades. É sobre localização, comportamento, mobilidade e tempo — os mesmos pilares que sustentam os sistemas de navegação e a logística urbana.
E se aplicássemos a inteligência da geolocalização à habitação?
A crise da habitação não é apenas uma questão de falta de oferta. É uma questão de desalinhamento: entre onde as pessoas vivem e onde realmente querem viver, entre onde existe infraestrutura e onde a pressão populacional está a crescer.
"A crise da habitação (...) é uma questão de desalinhamento: entre onde as pessoas vivem e onde realmente querem viver, entre onde existe infraestrutura e onde a pressão populacional está a crescer."
Muitos mercados baseiam-se em dados estáticos: preço por metro quadrado, stock disponível, taxas de juro. Mas a geolocalização mostra para onde as pessoas estão efetivamente a mover-se — e quando. Cidades e promotores podem antecipar movimentos antes que se tornem crises.
Tempo de deslocação, acesso ao transporte público, zonas de maior densidade. Os dados geoespaciais revelam o quão habitável é realmente uma zona — para além do que está previsto nos planos de ordenamento do território.
Em vez de planear com base no que já foi construído, podemos planear com base em como as pessoas realmente se deslocam.
Desde a tipologia de habitação até à escolha de localização, a geolocalização permite decisões de investimento mais inteligentes — públicas e privadas.
Em vez de construir sob pressão, podemos construir com base em dados reais de comportamento urbano.
"A tecnologia existe. Os dados existem. O que falta é integração — e intenção estratégica."
Imobiliário e mobilidade não são conversas separadas. São partes de um mesmo sistema: onde as pessoas vivem e como se movem.
A tecnologia existe. Os dados existem. O que falta é integração — e intenção estratégica.
Hoje, ajudo a navegar decisões — porque a crise da habitação não é apenas política ou económica. É também um desafio sistémico. E já temos parte da solução.
👉 Onde mais vê a geolocalização a transformar setores que ainda funcionam com base em suposições?