Júlio Quintela

Chief Operations Officer da Zome

Opinião

Como a tecnologia de geolocalização pode ajudar a resolver a crise da habitação

12 Junho, 2025 · 10:38

Depois de uma década na TomTom a ajudar milhões de pessoas a navegar com precisão, e agora na Zome a liderar equipas que ajudam milhares a tomar uma das decisões mais importantes das suas vidas — onde viver — percebo que há um elo comum: o poder dos dados geoespaciais para orientar decisões mais inteligentes.

O mercado imobiliário deixou de ser apenas sobre propriedades. É sobre localização, comportamento, mobilidade e tempo — os mesmos pilares que sustentam os sistemas de navegação e a logística urbana.

E se aplicássemos a inteligência da geolocalização à habitação?

A crise da habitação não é apenas uma questão de falta de oferta. É uma questão de desalinhamento: entre onde as pessoas vivem e onde realmente querem viver, entre onde existe infraestrutura e onde a pressão populacional está a crescer.


"A crise da habitação (...) é uma questão de desalinhamento: entre onde as pessoas vivem e onde realmente querem viver, entre onde existe infraestrutura e onde a pressão populacional está a crescer."


1. Visibilidade em tempo real da procura habitacional

Muitos mercados baseiam-se em dados estáticos: preço por metro quadrado, stock disponível, taxas de juro. Mas a geolocalização mostra para onde as pessoas estão efetivamente a mover-se — e quando. Cidades e promotores podem antecipar movimentos antes que se tornem crises.

2. Planeamento urbano com dados de mobilidade

Tempo de deslocação, acesso ao transporte público, zonas de maior densidade. Os dados geoespaciais revelam o quão habitável é realmente uma zona — para além do que está previsto nos planos de ordenamento do território.

Em vez de planear com base no que já foi construído, podemos planear com base em como as pessoas realmente se deslocam.

3. Estratégia de investimento e gestão de risco baseada em localização

Desde a tipologia de habitação até à escolha de localização, a geolocalização permite decisões de investimento mais inteligentes — públicas e privadas.

Em vez de construir sob pressão, podemos construir com base em dados reais de comportamento urbano.


"A tecnologia existe. Os dados existem. O que falta é integração — e intenção estratégica."


Do mapa ao mercado: a ponte é estratégica

Imobiliário e mobilidade não são conversas separadas. São partes de um mesmo sistema: onde as pessoas vivem e como se movem.

A tecnologia existe. Os dados existem. O que falta é integração — e intenção estratégica.

Resumo – Como a geolocalização pode apoiar o mercado imobiliário



  • Permite acompanhar a procura habitacional em tempo real

  • Ajuda a planear cidades com base na mobilidade real das pessoas

  • Melhora decisões de investimento através de dados concretos

  • Reduz riscos e aumenta o impacto social de novas construções


Pensamento final

Hoje, ajudo a navegar decisões — porque a crise da habitação não é apenas política ou económica. É também um desafio sistémico. E já temos parte da solução.

👉 Onde mais vê a geolocalização a transformar setores que ainda funcionam com base em suposições?

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