Pedro Maldonado
Head of Developments at C21 Realty Art
Opinião
Head of Developments at C21 Realty Art
Opinião
Até muito recentemente, o imobiliário decidiu-se com base na experiência, na intuição e no conhecimento acumulado de quem estava no terreno. Hoje, uma nova forma de inteligência começa a entrar nesse processo sem pedir autorização. Não substitui o fator humano (até ver…), mas altera muito a forma como se captam clientes, se definem preços, se analisam riscos e se tomam decisões.
A IA já faz parte integrante da decisão. É uma inteligência que não aparece, mas organiza tudo.
Nos mercados mais maduros, a Inteligência Artificial deixou de ser uma ferramenta experimental para se tornar um elemento estrutural da operação imobiliária. Não aparece na linha da frente, mas está presente em quase todas as decisões relevantes.
Uma das primeiras áreas a ser impactada é a captação e qualificação de contactos. Ao cruzar dados de comportamento digital, origem do lead, tipo de imóvel pesquisado e histórico de interações, estes sistemas conseguem hierarquizar prioridades comerciais. Em vez de responder a todos da mesma forma, as equipas concentram-se nos potenciais compradores com maior intenção e num horizonte temporal mais curto, com particular eficácia em construção nova, onde o volume de contactos é elevado, e a capacidade de resposta é determinante.
Este último ponto é de particular importância, pois encontrar um “sweet spot” sem inflacionar estruturas é um tema premente.
"À medida que 2026 se aproxima, o imobiliário português entra numa fase em que a decisão deixa de ser exclusivamente humana. A diferença está em quem aprende a trabalhar com esta nova inteligência e em quem insiste em ignorá-la."
Nos principais centros imobiliários internacionais, assistentes virtuais treinados com informação específica de cada projeto já fazem parte do processo comercial. Estes sistemas são capazes de responder a questões sobre tipologias, preços e disponibilidades, além de qualificar o cliente e encaminhá-lo para a equipa comercial no momento certo.
Esta solução ganha especial relevância no contacto com compradores internacionais. A possibilidade de prestar informação estruturada fora do horário comercial melhora a experiência do cliente e aumenta a eficiência das equipas comerciais.
A Inteligência Artificial não substitui a experiência, a relação ou o conhecimento local. O que faz é acrescentar uma nova camada de inteligência ao processo, tornando-o mais consistente, mais rápido e menos dependente de tarefas repetitivas.
À medida que 2026 se aproxima, o imobiliário português entra numa fase em que a decisão deixa de ser exclusivamente humana. A diferença está em quem aprende a trabalhar com esta nova inteligência e em quem insiste em ignorá-la.
Porque, gostemos ou não, ela já entrou. E não pediu licença.