Habitação

Oito anos depois, só 1.568 casas do 1.º Direito são construção nova

Janeiro 23, 2026 · 3:13 pm
Imagem de wirestock no Freepik

O programa 1.º Direito, destinado a aumentar o parque habitacional público para famílias em situação de vulnerabilidade, mostra, oito anos após o seu anúncio, uma construção de raiz muito limitada. Segundo dados fornecidos ao Público pelo Ministério das Infraestruturas e da Habitação, das 16.950 casas já entregues, apenas 1.568 (9%) correspondem a construção nova, enquanto mais de 87% (14.781 fogos) resultam de reabilitação, aquisição e recuperação de imóveis existentes.

O 1.º Direito é o principal programa de habitação financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), com a meta de disponibilizar 26 mil casas até junho de 2026. A cinco meses do final do prazo, ainda faltam entregar mais de nove mil habitações às famílias identificadas como vivendo em condições de indignidade habitacional.

Meta de 18 mil fogos até 2025 ficou aquém

Lançado em 2017, o programa tinha como objetivo aumentar o parque habitacional público de 2% para 5%. A meta inicial de 26 mil casas, prevista para 2024, passou a integrar o financiamento do PRR, com conclusão prevista para junho de 2026. Em 2024, o Governo aumentou a meta para 59 mil casas, e no ano passado elevou novamente o número de habitações a financiar para 133 mil, embora apenas as 26 mil iniciais sejam financiadas pelo PRR.

Ainda segundo o Público, de acordo com o Ministério, o número de casas entregues ficou aquém do compromisso de 18 mil até dezembro de 2025 devido a atrasos na submissão e validação de informação pelos municípios, afetados pelo período de eleições autárquicas e alterações nas equipas técnicas. Estima-se que a receção dos dados em falta, referentes a novembro e dezembro, cerca de 850 habitações, permitirá aproximar-se da meta.

Áreas metropolitanas concentram casas

A análise geográfica dos dados evidencia uma concentração significativa das habitações entregues: 12.610 casas, cerca de 74% do total, situam-se nos dez municípios com maior número de fogos, com Lisboa à frente (6.090 casas), seguida de Cascais, Sintra, Loures, Oeiras, Matosinhos, Amadora, Angra do Heroísmo, Braga e Porto. Entre as habitações contratualizadas, 16.600 fogos (48%) encontram-se nos dez municípios mais representativos, com Lisboa novamente no topo (6.101 casas).

Do total de 34.272 fogos contratualizados até ao momento, 30.353 já têm execução financeira. O investimento total previsto ultrapassa os quatro mil milhões de euros, dos quais 2,5 mil milhões estão contratualizados e 1.032 milhões pagos às entidades promotoras dos projetos.

Com menos de seis meses para o fim do prazo do PRR, o cumprimento da meta original de 26 mil casas continua incerto, e a construção de novas habitações permanece um desafio significativo para a política de habitação.

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