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O que faz disparar o preço das casas?

Junho 19, 2026 · 9:59 am
Foto de Willian Justen de Vasconcellos na Unsplash

O que faz disparar o preço das casas em Portugal? A resposta não está apenas nos juros. Um estudo sobre a evolução do mercado imobiliário português, coordenado por um docente do Instituto Superior Miguel Torga (ISMT), em Coimbra, conclui que o crescimento económico e a escassez de oferta têm um impacto mais significativo na subida dos preços das casas do que as taxas de juro no curto prazo.

As conclusões do estudo é que, embora a taxa de juro seja importante, as condições do crescimento económico do país e da oferta de habitação na construção têm um impacto maior em termos dos preços da habitação do que propriamente as taxas de juros no curto prazo”, disse à agência Lusa o docente e investigador do ISMT Fernando Oliveira Tavares.

A investigação é assinada por Fernando Oliveira Tavares, do ISMT e da Universidade Portucalense, Luís Pacheco e Margarita Carvalho, ambos da Universidade Portucalense, e Elisabeth T. Pereira, da Universidade de Aveiro.

O que mudou no mercado em 25 anos

O estudo “Evolution of the Real Estate Market in Portugal in the 21st Century” analisou a evolução do mercado imobiliário em Portugal entre 2000 e 2025, com base em 100 observações trimestrais e em dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), do Banco de Portugal e do Eurostat.

De acordo com o investigador, as taxas de juros são importantes para o crescimento económico, mas o rendimento disponível das famílias “tem um impacto maior no crescimento dos preços da habitação”.

Fernando Oliveira Tavares apontou ainda a escassez da oferta, notando que a oferta da construção “caiu bastante” e “a reabilitação no centro das cidades praticamente é nula”, o que “tem um impacto grande em termos do crescimento do preço da habitação”.

Construção de habitação caiu 70%

Desde o início do século, a construção de nova habitação em Portugal caiu cerca de 70%, criando um défice estrutural de oferta que o mercado ainda não conseguiu recuperar.

A este desajuste soma-se o aumento significativo dos custos de construção, que subiram mais de 40% na última década.

“A política fiscal também poderia ajudar, mas basicamente o que condiciona o preço da habitação é a oferta baixa e a procura tem-se mantido elevada, fruto essencialmente do acumular dos anos de pouca oferta em termos de construção”, referiu.

O investigador observou ainda que “quem vem de fora para cá para dentro trabalhar poderá procurar habitação, mas, no início, será sempre o mercado de arrendamento, não é o mercado da compra”.

O estudo centrou-se no mercado de compra de habitação, referindo-se, em termos de conclusões finais, que “seria interessante analisar o mercado de arrendamento também”, acrescentou.

Fonte: Lusa/ Redação

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