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Mercado ‘premium’ acelera no Porto… mas há travão à vista?
Maio 4, 2026 · 12:04 pm
Imagem cedida pela Engel & Völkers
O Porto continua a consolidar a sua posição como um dos mercados imobiliários mais dinâmicos do país, sobretudo no segmento premium. Mas por detrás desta resiliência há um contexto mais complexo: menos transações, escassez de oferta e um mercado que começa a ajustar o ritmo.
Esta é uma das principais leituras do Market Report Portugal 2025-2026 da Engel & Völkers, que aponta para uma procura robusta por imóveis de luxo na cidade e na sua área metropolitana, sustentada tanto por compradores nacionais como internacionais.
Luxo resiste e até ganha terreno
Num mercado pressionado pela falta de oferta, estimada em cerca de 14 mil casas por ano, o segmento premium destaca-se pela capacidade de absorver procura exigente e financeiramente sólida.
A cidade Invicta beneficia de um conjunto de fatores difíceis de replicar: qualidade de vida, património cultural, proximidade ao mar e uma oferta imobiliária cada vez mais qualificada. O resultado? Continua no radar de investidores internacionais, com destaque para norte-americanos, franceses e espanhóis.
“O Porto tem vindo a consolidar-se como um mercado de referência no segmento premium, combinando autenticidade, qualidade de vida e uma oferta imobiliária cada vez mais sofisticada. Observamos uma procura consistente por imóveis que ofereçam diferenciação, seja pela localização, arquitetura ou características únicas, o que confirma o posicionamento da região no radar de investidores nacionais e internacionais”, afirma Gustavo Soares, Licence Partner da Engel & Völkers Porto.
Onde estão as oportunidades?
As zonas mais exclusivas mantêm-se estáveis no topo da procura. Foz do Douro, Nevogilde e Boavista lideram no segmento de apartamentos premium.
Vila Nova de Gaia e Matosinhos ganham protagonismo, impulsionados por novos projetos e pela proximidade ao mar. Aqui, o perfil de comprador tende a valorizar mais espaço, qualidade de vida e acessos, uma tendência que ajuda a explicar a crescente procura fora do centro histórico.
O que se está a vender (e porquê)
A consolidação do Porto no segmento premium também se explica pela diversidade de imóveis cada vez mais ajustada a diferentes estilos de vida:
- Moradias de luxo em zonas residenciais, com jardim e piscina, ideais para famílias que valorizam privacidade;
- Apartamentos premium em zonas centrais ou ribeirinhas, com vistas e serviços à porta;
- Imóveis reabilitados, que combinam traça histórica com conforto moderno.
Esta segmentação permite responder a um comprador mais informado e exigente e menos sensível a pequenas oscilações económicas.
Menos transações, mas mercado longe de parar
Apesar da força do segmento de luxo, o relatório aponta para um ligeiro arrefecimento no volume de transações no Porto, ainda assim acima dos níveis pré-pandemia.
Ao mesmo tempo, os preços continuam sob pressão: só no terceiro trimestre de 2025, a habitação subiu 17,7%, refletindo um desequilíbrio estrutural entre oferta e procura.
As perspetivas para 2026 são moderadamente otimistas, segundo o relatório da Engel & Völkers. Apesar do crescimento económico previsto, das condições de crédito potencialmente mais favoráveis e da continuação da procura internacional, há um ponto crítico que se mantém. Sem aumento da oferta, o mercado continuará pressionado, mesmo nos segmentos mais altos.
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