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Mercado imobiliário perde velocidade em três quartos do país
Setembro 24, 2026 · 4:00 pm
Foto de Tânia Roques: https://www.pexels.com/pt-br/foto/vista-aerea-do-mercado-de-loule-em-faro-portugal-34532054/
A subida dos preços de venda das casas abrandou em 76% dos concelhos de Portugal continental no segundo trimestre de 2026. A tendência foi observável em 210 dos 278 municípios analisados, embora a valorização continue elevada na generalidade do território.
Os dados constam dos Índices de Preços Residenciais da Confidencial Imobiliário (Ci) e comparam a variação homóloga observada no segundo trimestre deste ano com a registada no final de 2025.
O abrandamento significa que os preços continuam a aumentar, mas a um ritmo inferior. Não representa, portanto, uma descida dos valores das casas.
No final do ano passado, 193 concelhos – 69% dos mercados acompanhados -apresentavam aumentos homólogos superiores a 20%. Entre estes, 32 registavam valorizações acima de 30%.
No segundo trimestre de 2026, o número de concelhos com aumentos superiores a 20% caiu para 115, o equivalente a 41% do total. Em dez municípios, as taxas mantiveram-se acima de 30%.
Perda de ritmo foi inferior a cinco pontos na maioria dos casos
Em 126 dos 210 concelhos onde a valorização abrandou, a redução da taxa homóloga não ultrapassou cinco pontos percentuais. Este grupo representa 60% dos municípios que perderam ritmo.
Nos restantes 84 concelhos, o abrandamento foi mais acentuado. Em mais de duas dezenas, a taxa de crescimento diminuiu pelo menos dez pontos percentuais.
Os números mostram, assim, uma desaceleração generalizada, mas desigual: enquanto alguns mercados apresentam apenas uma moderação ligeira, outros afastam-se de forma mais evidente das subidas registadas no final de 2025.
Lisboa abranda de 18,2% para 11,1%
A tendência é visível nas duas maiores cidades do país e em grande parte das respetivas áreas metropolitanas.
Em Lisboa, a taxa de variação homóloga dos preços passou de 18,2%, no final de 2025, para 11,1% no segundo trimestre de 2026. Segundo a Confidencial Imobiliário, esta foi a redução de ritmo mais expressiva na Área Metropolitana de Lisboa.
No conjunto da região, 12 dos 18 concelhos, incluindo a capital, registaram um abrandamento. Porém, as subidas continuam muito elevadas em alguns municípios. No Seixal, os preços aumentaram 29,5% em termos homólogos e, na Moita, 34,6%. Ambos contrariaram a tendência predominante e aceleraram face ao final do ano passado.
Porto também perde ritmo, mas mantém subida de 14,6%
Na Área Metropolitana do Porto, seis dos nove concelhos acompanhados registaram uma desaceleração.
Na cidade do Porto, a valorização homóloga recuou de 16,6% no final de 2025 para 14,6% no segundo trimestre deste ano. As maiores subidas da região foram observadas em Gondomar, com 27,1%, e Valongo, com 26,1%.
Apesar de integrarem o grupo de municípios com aumentos mais elevados, Valongo, Maia e Vila do Conde estão entre os concelhos metropolitanos onde o ritmo de valorização se intensificou.
Em 68 concelhos, os preços aceleraram
A desaceleração não abrangeu todo o país. Em 68 concelhos, correspondentes a 24% do total, a taxa de variação homóloga aumentou face ao final de 2025.
Além dos municípios já referidos nas áreas metropolitanas e no Algarve, também as capitais de distrito de Coimbra, Beja, Viseu e Leiria contrariaram a tendência nacional. Em Vila Real, a taxa homóloga manteve-se inalterada.
Para Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, os dados mostram que “o mercado está a ajustar-se a um novo patamar de preços, depois de um período de subidas historicamente elevadas. Este ajustamento está, no entanto, a ser feito de forma gradual e a partir de taxas de crescimento ainda muito significativas, o que confirma que o desequilíbrio estrutural entre a oferta e a procura de habitação continua por resolver na generalidade do território.”.
Os Índices de Preços Residenciais da Confidencial Imobiliário são calculados a partir dos dados reportados ao SIR – Sistema de Informação Residencial – e abrangem os 278 concelhos de Portugal continental.
Faro lidera abrandamento no Algarve
No Algarve, 12 dos 16 concelhos registaram uma moderação das subidas. Faro apresentou o abrandamento mais acentuado da região, com a taxa homóloga a descer de 25,9% para 17,5%.
Ainda assim, a maioria dos mercados algarvios continuou a apresentar aumentos superiores a 15%. Olhão registou a valorização mais elevada da região, de 28,8%.
Loulé, Lagoa, Albufeira e Silves ficaram entre as exceções, ao apresentarem um crescimento mais rápido dos preços do que no final de 2025.