Construção

Mercado da habitação bate recordes em 2025: preços, vendas e rendas sobem

Julho 17, 2026 · 2:52 pm
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O mercado da habitação voltou a acelerar em 2025 e fechou o ano com novos máximos em vários indicadores. As vendas de casas atingiram um valor recorde de 41,2 mil milhões de euros, foram transacionados 169.812 alojamentos, os preços da habitação continuaram a subir a um ritmo de dois dígitos e as rendas dos novos contratos também voltaram a aumentar, segundo as Estatísticas da Construção e Habitação divulgadas esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

No total, o valor das habitações transacionadas cresceu 21,7% face a 2024, atingindo o montante mais elevado desde o início da série estatística, em 2009. Também o número de transações aumentou 8,6%, com cerca de mais 13.500 casas vendidas do que no ano anterior.

Casas continuam a valorizar

O preço mediano da habitação fixou-se em 2.076 euros por metro quadrado, mais 16,8% do que em 2024.

A Grande Lisboa voltou a liderar como a sub-região mais cara do país, com um preço mediano de 3.439 euros por metro quadrado, seguindo-se o Algarve (3.139 €/m²), a Península de Setúbal (2.596 €/m²), a Madeira (2.500 €/m²) e a Área Metropolitana do Porto (2.305 €/m²).

Entre os municípios, Lisboa manteve o preço mais elevado do país (4.875 €/m²), seguida de Cascais (4.550 €/m²), Oeiras (4.187 €/m²), Loulé (3.993 €/m²) e Lagos (3.801 €/m²).

Ao todo, 56 dos 308 municípios portugueses registaram preços acima da mediana nacional, localizados maioritariamente nas sub-regiões Grande Lisboa (todos os nove municípios), Península de Setúbal (todos os nove municípios), Algarve (14 dos 16 municípios) e Área Metropolitana do Porto (nove dos 17 municípios).

Arrendamento também ficou mais caro

Também o mercado do arrendamento continuou a pressionar os orçamentos das famílias.

A renda mediana dos 149.628 novos contratos celebrados em 2025 aumentou 9,7%, para 9,29 euros por metro quadrado, enquanto o número de novos contratos cresceu 5,4% face ao ano anterior.

Mais uma vez, a Grande Lisboa apresentou os valores mais elevados (14,19 €/m²), seguida da Madeira (11,33 €/m²), Península de Setúbal (11,05 €/m²), Algarve (10,53 €/m²) e Área Metropolitana do Porto (10,17 €/m²).

Nos municípios, Lisboa (16,88 €/m²), Cascais (16,20 €/m²) e Oeiras (15,03 €/m²) voltaram a liderar o ranking das rendas.

Mais construção, mas ainda insuficiente

Os dados mostram igualmente uma recuperação da atividade de construção.

Em 2025 foram licenciados 26.227 edifícios, mais 1,4% do que no ano anterior, e 48.844 fogos, uma subida de 14,6%, o valor mais elevado desde 2011.

Apesar disso, o número de edifícios concluídos diminuiu 3%, para 16.964, embora o número de fogos concluídos tenha aumentado 8,7%, totalizando 30.425. Nas construções novas destinadas à habitação familiar, os fogos concluídos cresceram 10,7%, para 27.301 unidades.

Crédito acompanha dinamismo do mercado

O aumento da atividade refletiu-se também no crédito à habitação.

Ao longo de 2025 realizaram-se cerca de 146 mil avaliações bancárias, mais 4,3% do que no ano anterior e o valor mais elevado desde 2009.

Ainda assim, o INE assinala que o crescimento das avaliações ficou abaixo da evolução do número de transações (4,3% contra 8,6%), sinalizando que a dinâmica das vendas foi ainda mais intensa do que a do crédito.

Um mercado que continua sob pressão

Os dados divulgados pelo INE confirmam que 2025 foi mais um ano de forte dinamismo no mercado residencial português. As vendas aumentaram, os preços continuaram a crescer muito acima da inflação, as rendas mantiveram uma trajetória de subida e a construção voltou a dar sinais de recuperação.

Apesar do reforço da oferta, com mais licenças e mais fogos concluídos, os números sugerem que a resposta continua insuficiente para acompanhar a procura, sobretudo nas regiões metropolitanas e nos principais mercados turísticos, onde os preços permanecem muito acima da média nacional.

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