Dinheiro

Menos casas vendidas e preços a desacelerar: o que está a mudar no mercado?

Junho 24, 2026 · 10:57 am
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Os preços da habitação continuaram a subir no primeiro trimestre deste ano, mas a um ritmo mais lento pela primeira vez em quase dois anos. Ao mesmo tempo, o número de casas vendidas voltou a cair, reforçando os sinais de uma mudança de dinâmica no mercado imobiliário, segundo os dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os preços das casas aumentaram 17,8% no primeiro trimestre, em termos homólogos, menos 1,1 pontos percentuais do que no trimestre anterior, registando a primeira desaceleração do Índice de Preços da Habitação (IPHab) desde o segundo trimestre de 2024.

Nos primeiros três meses de 2026, o aumento dos preços foi mais expressivo nas habitações existentes (19,7%) que nas habitações novas (12,6%).

Já em relação ao trimestre anterior, o IPHab cresceu 3,8% (variação de 4,0% no trimestre precedente), tendo os preços dos alojamentos existentes aumentado 4,2% e o dos alojamentos novos 2,7%.

A taxa de variação média anual do IPHab fixou-se em 17,9% no primeiro trimestre de 2026, mais 0,3 pontos percentuais que no trimestre anterior, atingindo um novo máximo da série disponível.

No período de referência, as habitações existentes apresentaram uma taxa de variação de 19,5%, sendo que nas habitações novas o aumento de preços foi inferior, 13,7%.

Menos casas vendidas

De acordo com o INE, entre janeiro e março deste ano foram transacionadas 37.745 habitações, menos 8,7% do que no mesmo período do ano passado (variação de -4,7% no trimestre anterior) e uma redução em cadeia de 12,4%.

Trata-se do segundo trimestre consecutivo com uma taxa de variação homóloga de sinal negativo no número de transações (-4,7% no último trimestre de 2025).

Do total de vendas, 30.356 (80,4% do total) respeitaram a habitações existentes, correspondendo a uma taxa de variação homóloga de -8,0%. Já nas habitações novas, a redução do número de transações foi de 11,6%, para 7.389 unidades.

No primeiro trimestre, o valor das habitações transacionadas ascendeu a 9.000 milhões de euros, mais 3,2% face ao mesmo trimestre de 2025, com uma taxa de variação homóloga de 6,9% no valor das transações das habitações existentes, para 7.500 milhões de euros, e uma redução de 6,8% no das habitações novas, para 2.400 milhões.

Face ao trimestre anterior, o valor das transações de alojamentos caiu 7,9% de janeiro a março (aumento de 2,6% no quarto trimestre de 2025), registando-se uma redução em ambas as categorias de alojamentos, mas mais pronunciada no caso dos novos (-11,2%) do que nos existentes (-6,8%).

Menos transações em todo o país

No primeiro trimestre, as vendas de alojamentos às famílias recuaram 8,7% em termos homólogos e 12,4% em cadeia, fixando-se em 32.828 habitações e representando 87,0% do total das vendas.

Em valor, as vendas de alojamentos às famílias cresceram 3,4% em termos homólogos e caíram 8,1% em cadeia, para um total de 8.600 milhões de euros, 86,4% do total.

Já as aquisições de habitação por compradores com domicílio fiscal no território nacional recuaram 8,4% face ao primeiro trimestre de 2025, para um total de 35.975 unidades (95,3% do total), totalizando 9.100 milhões de euros (mais 3,4% em termos homólogos).

No que respeita aos compradores com domicílio fiscal fora de Portugal, contabilizaram-se 1.770 vendas, menos 15,6% face ao mesmo período do ano anterior (-20,9% no quarto trimestre de 2025).

Entre as categorias de compradores com domicílio fiscal fora do território nacional, a categoria União Europeia foi a que apresentou a maior contração no número de transações, de -16,8%, superior à observada na categoria restantes países, que se fixou em -14,4%.

Numa análise regional, o INE apurou que, até março, todas as regiões registaram uma redução no número de transações relativamente ao mesmo período do ano anterior, com destaque para a Madeira, os Açores e o Algarve, com quebras de 25,6%, 11,4% e 10,7%, respetivamente.

Ainda assim, os valores das transações de alojamentos continuaram a crescer em algumas das regiões do país, salientando-se, com registos acima da média nacional, as subidas na Península de Setúbal, Oeste e Vale do Tejo, Alentejo e Norte, entre os 4,6% e 16,6%.

Fonte: Lusa/ Redação

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