Construção

Mais obras, mais vendas e preços a subir: o retrato do mercado em 2024

Julho 18, 2025 · 3:35 pm
Foto de Freguesia de Estrela na Unsplash

O mercado imobiliário português manteve o ritmo acelerado em 2024: mais casas licenciadas, mais edifícios concluídos, mais transações, rendas em alta e preços da habitação que continuam a bater recordes. É este o retrato traçado pela mais recente publicação Estatísticas da Construção e Habitação, divulgada esta sexta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Mas o que revelam, afinal, os números?

Mais obras no papel e no terreno

Depois de um ano de travão, 2024 trouxe um novo fôlego ao setor. Foram licenciados 25 470 edifícios, o que representa um crescimento de 7,2% face a 2023 (ano que tinha registado queda de 6,9%). No total, 41 851 fogos receberam luz verde (+5,4%), sendo que a maioria (34 637) corresponde a construções novas para habitação familiar.

No capítulo das obras concluídas também houve uma evolução positiva: 17 380 edifícios terminaram construção (+1,6%) e 28 494 fogos ficaram prontos a habitar (+6,8%).

Vendas: mais casas, mais dinheiro

A procura por casas cresceu de forma expressiva em 2024. Foram 156 325 alojamentos a mudar de mãos, um aumento de 14,5% face a 2023. No total, estas vendas somaram 33,8 mil milhões de euros, o valor mais alto desde que há registo, com um salto de 20,8% em relação ao ano anterior.


  • Casas usadas continuam a dominar: são 124 445 transações (+14,8%).

  • Habitações novas: 31 880 (+13,4%).

  • Valor movimentado: 24,4 mil milhões (existentes) e 9,4 mil milhões (novas).


Com mais negócios e mais crédito, também as avaliações dispararam: cerca de 140 000 avaliações bancárias foram realizadas em 2024 – o maior número desde 2009 –, um crescimento de 32,1% face a 2023.

Preços da habitação: Lisboa continua no topo

Comprar casa continua a ser um desafio. Em 2024, o preço mediano nacional fixou-se em 1 777 €/m², mais 10,3% do que no ano anterior.

As regiões mais caras mantêm-se:


  • Grande Lisboa: 2 939 €/m²

  • Algarve: 2 752 €/m²

  • Madeira: 2 395 €/m²

  • Península de Setúbal: 2 117 €/m²

  • Área Metropolitana do Porto: 1 986 €/m²


E, entre municípios, Lisboa lidera com 4 340 €/m², seguida de Cascais (4 053 €/m²) e Oeiras (3 471 €/m²). No Algarve, Lagos também se destaca (3 452 €/m²).

Arrendamento: mais contratos e rendas mais altas

O mercado de arrendamento também aqueceu. Em 2024, foram celebrados 98 657 novos contratos, mais 4,3% que no ano anterior. A renda mediana subiu 10,5%, fixando-se em 7,97 €/m².

Os valores mais elevados registam-se em:


  • Lisboa: 15,93 €/m²

  • Cascais: 15,31 €/m²

  • Oeiras: 13,80 €/m²

  • Porto: 12,58 €/m²


A Grande Lisboa concentra um quarto dos novos contratos e, com a Área Metropolitana do Porto, representa 42% do mercado nacional.

O que dizem estes números sobre o futuro?

Apesar do dinamismo observado em 2024, o arranque de 2025 confirma que a pressão sobre os preços continua a aumentar. No primeiro trimestre deste ano, o preço mediano das casas transacionadas atingiu 1 951 €/m², uma subida de 18,7% face a 2024, a maior dos últimos cinco anos, segundo o INE. Este aumento segue a tendência do final do ano passado, quando os preços já tinham disparado 15,5%.

Paralelamente, o número de transações cresceu 24,9%, sinal de que a procura permanece forte, mesmo num cenário de menor oferta. Aliás, o stock de habitação para venda voltou a cair pelo terceiro trimestre consecutivo, recuando 3% no início de 2025, após dois anos de expansão em que tinha crescido 36%, revela a Confidencial Imobiliário.
Ainda assim, maio trouxe sinais de possível moderação: o Índice de Preços Residenciais aponta para uma variação mensal residual de 0,2%, após valorizações entre 1,4% e 2,7% nos primeiros quatro meses do ano. Será um ponto de viragem no mercado ou apenas uma pausa num ciclo de alta?

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