As rendas dos novos contratos de arrendamento registaram evoluções distintas no arranque de 2026 nas duas principais cidades do país. Em Lisboa, o mercado mantém-se em fase de estabilização, enquanto no Porto se intensifica a correção dos preços, com a maior descida trimestral dos últimos cinco anos.
Os dados são do Índice de Rendas Residenciais da Confidencial Imobiliário, relativos ao 1.º trimestre de 2026.
Lisboa estabiliza com quatro trimestres consecutivos de crescimento
Em Lisboa, as rendas dos novos contratos registaram uma variação trimestral de 0,2%, consolidando um ciclo de estabilização iniciado em meados de 2025.
Apesar de residuais, estas variações positivas têm-se mantido de forma consistente ao longo de quatro trimestres consecutivos, refletindo um mercado mais estável depois de um ciclo de forte crescimento.
Em termos homólogos, as rendas em Lisboa aumentaram 2,0%, uma aceleração face ao final de 2025, quando o crescimento era praticamente nulo (0,2%).
A evolução indica que o mercado lisboeta entrou numa nova fase de equilíbrio, após vários anos de forte pressão sobre os preços.
Porto acelera correção e regista maior queda desde 2021
No Porto, o cenário é diferente. As rendas dos novos contratos caíram 1,3% no trimestre, a maior descida desde 2021, período marcado pelo impacto da pandemia no mercado habitacional.
Esta evolução aprofunda uma trajetória de correção iniciada no final de 2024, até agora marcada por descidas ligeiras, mas consecutivas.
O efeito acumulado dessas variações levou a uma descida homóloga de 2,7%, agravando o ajustamento já em curso no mercado portuense.
Segundo os dados, esta dinâmica reflete também o impacto do ciclo de forte valorização registado entre 2022 e 2024, que terá sido seguido por um aumento da oferta disponível e por uma normalização da procura.
Dois mercados em fases diferentes do mesmo ciclo
A leitura conjunta dos dados aponta para dois ritmos distintos dentro de um mesmo ciclo de ajustamento do mercado de arrendamento urbano.
Lisboa parece ter atingido um ponto de equilíbrio, com oscilações ligeiras e consistentes. Já o Porto continua a ajustar o excesso de valorização acumulado nos anos anteriores. Entre 2022 e 2024, ambos os mercados registaram aumentos expressivos nas rendas dos novos contratos:
- Lisboa: +26% em 2022, +9% em 2023 e +1% em 2024
- Porto: cerca de +30% em 2022, +12% em 2023 e +2% em 2024
Este abrandamento progressivo ajuda a explicar a atual divergência de comportamento entre as duas cidades.
“Fases distintas do mesmo ciclo de ajustamento”
Para Ricardo Guimarães, diretor da Confidencial Imobiliário, a diferença entre Lisboa e Porto reflete ritmos diferentes de ajuste dentro do mesmo ciclo de mercado.
“A divergência entre Lisboa e Porto no 1.º trimestre de 2026 traduz fases distintas do mesmo ciclo de ajustamento. Lisboa parece ter atingido um novo ponto de equilíbrio, com rendas a recuperar gradualmente após o período de correção. O Porto continua a absorver o excesso acumulado nos anos de expansão”, refere.
O responsável acrescenta ainda que a descida registada no Porto é “um sinal de que o ajustamento ainda não está concluído”.
De acordo com o sistema SIR-Arrendamento, a renda média contratada no 1.º trimestre de 2026 foi de 1.580 euros em Lisboa para um apartamento T2 e de 1.352 euros no Porto. O tempo médio de colocação manteve-se próximo dos três meses nas duas cidades, sinalizando estabilidade na dinâmica de arrendamento apesar da divergência de preços.