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Lisboa conquista lugar no top mundial das cidades que mais atraem talento
Junho 16, 2026 · 3:57 pm
Foto de André Lergier na Unsplash
Lisboa entrou no grupo restrito das cidades globais mais bem posicionadas para atrair e reter talento qualificado. A capital portuguesa surge na 19.ª posição do Global Talent Cities Index 2026, publicado pela Savills, um indicador que avalia a capacidade das cidades para responder às novas exigências das empresas internacionais na gestão de talento.
O índice, integrado no programa Impacts da consultora, analisa de forma alargada os fatores que influenciam as decisões de localização empresarial, desde a disponibilidade de talento à qualidade de vida, passando pelos custos operacionais e pela competitividade dos mercados urbanos.
Um mapa global em transformação
Londres, Nova Iorque e Singapura continuam a liderar o ranking mundial, mantendo-se como centros de decisão, capital e concentração de talento altamente qualificado. No entanto, o estudo evidencia uma mudança estrutural no modo como as empresas definem a sua presença internacional.
Cada vez mais organizações adotam uma lógica “talent first”. Ou seja, primeiro identificam onde existe o talento necessário para a sua estratégia e só depois definem a localização das suas equipas e escritórios.
Esta inversão altera profundamente a geografia corporativa global e abre espaço a um conjunto mais diversificado de cidades.
O crescimento das cidades alternativas
Mercados como Toronto, Madrid ou Berlim têm vindo a ganhar relevância em modelos de operação mais distribuídos, incluindo estratégias dual hub ou redes de escritórios complementares às grandes metrópoles globais.
A competitividade destes destinos resulta da combinação entre talento qualificado, ecossistemas tecnológicos em crescimento e níveis de custo operacional mais equilibrados quando comparados com os principais centros financeiros tradicionais.
Ao mesmo tempo, outras cidades emergem como alternativas viáveis para funções em tecnologia, serviços e operações globais, beneficiando de maior disponibilidade de talento e condições de vida mais acessíveis.
Lisboa no equilíbrio entre talento, custo e qualidade de vida
É neste contexto que Lisboa se afirma como um dos mercados mais relevantes no sul da Europa. A cidade combina três fatores críticos para a decisão das empresas: uma força de trabalho qualificada e cada vez mais internacionalizada, custos operacionais competitivos face a outras capitais europeias e uma qualidade de vida que se tornou um elemento central na atração e retenção de talento.
Este equilíbrio coloca Lisboa ao lado de cidades emergentes em diferentes regiões do mundo, como Kuala Lumpur e Bengaluru, reforçando a sua posição como destino competitivo para empresas em expansão ou relocalização de operações, sobretudo nas áreas de tecnologia e serviços empresariais.
A qualidade de vida como fator decisivo
O estudo destaca ainda um conjunto de cidades onde a qualidade de vida é determinante para a capacidade de atrair talento, como Melbourne, Copenhaga ou Montreal.
Nestes mercados, as empresas beneficiam de ambientes urbanos mais equilibrados, com menor pressão imobiliária do que nas grandes metrópoles globais e condições mais favoráveis para a instalação de equipas altamente qualificadas.
Esta tendência confirma que a decisão de localização deixou de ser exclusivamente económica e passou a integrar fatores sociais, urbanos e de bem-estar.
Uma nova geografia corporativa
Segundo Sarah Brooks, Associate Director na Savills World Research, durante muitos anos as empresas concentraram-se num pequeno grupo de grandes cidades globais, atraídas por talento, capital e proximidade a clientes.
“Hoje está a surgir uma nova geografia corporativa. As grandes praças globais continuam cruciais, mas fazem cada vez mais parte de redes de escritórios mais amplas, que apoiam o crescimento, dão acesso a talento e melhoram a eficiência de custos”, afirma.
Já Michelle Needles, Global Head of Enterprise Solutions na Savills Global Occupier Services, destaca: “a relação tradicional entre trabalhadores e empregos inverteu-se”. As empresas deixam de exigir a mobilidade do talento e passam a instalar-se onde as pessoas já vivem e querem permanecer, reduzindo a dependência de mercados saturados e explorando novas localizações.
Lisboa como plataforma internacional em consolidação
No contexto português, os resultados do Global Talent Cities Index 2026 reforçam o posicionamento de Lisboa como destino relevante para empresas internacionais.
A cidade beneficia de um ecossistema tecnológico em expansão, de uma força de trabalho jovem e altamente qualificada e de uma perceção positiva junto de talento estrangeiro. Estes fatores consolidam o seu papel como plataforma estratégica entre a Europa, África e América Latina, com impacto direto nas decisões de ocupação de escritórios.
Segundo Frederico Leitão de Sousa, responsável pela área de escritórios da Savills Portugal, os resultados do índice confirmam as dinâmicas já observadas no mercado lisboeta. Depois de vários anos de forte atividade, com entrada de novas empresas e aumento significativo da ocupação de escritórios, Lisboa afirma-se entre os principais destinos para operações internacionais.
Ao mesmo tempo, começa a observar-se uma maior diversificação das estratégias de localização, com empresas a considerar também outras cidades portuguesas que oferecem condições competitivas e espaço para crescimento. Lisboa mantém a liderança, mas este movimento sinaliza uma consolidação mais ampla do posicionamento de Portugal no mapa global de decisão empresarial.
Um indicador do futuro do imobiliário urbano
O Global Talent Cities Index 2026 evidencia uma tendência clara: a localização das empresas está cada vez mais ligada à geografia do talento.
Num mundo em que o capital humano é o principal fator competitivo, cidades capazes de atrair e reter profissionais qualificados tornam-se também mais relevantes no mercado imobiliário, sobretudo nos segmentos de escritórios e uso corporativo.
Lisboa surge, assim, não apenas como uma cidade em crescimento, mas como um território cada vez mais integrado nas redes globais de decisão empresarial.
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