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Leilões de casas em queda livre: o que está a mudar no mercado?
Março 18, 2026 · 10:47 am
Imagem de Júlia Orige no Pixabay
O número de leilões de imóveis em Portugal caiu 53,4% nos últimos sete anos, confirmando uma tendência de declínio nesta forma de venda associada, sobretudo, a processos de incumprimento. A evolução é sustentada por dados da Ordem dos Solicitadores e dos Agentes de Execução (OSAE), divulgados através da plataforma e-Leilões.
Segundo os dados, divulgados pelo Jornal de Notícias, o número de leilões de casas passou de 10.651 em 2019 – antes da pandemia – para 4.957 no ano passado. Em termos percentuais, trata-se de uma quebra superior a metade, refletindo uma mudança estrutural no mercado.
Também o valor global das vendas registou uma descida acentuada. Em 2019, os imóveis leiloados atingiram um montante recorde de 3,369 mil milhões de euros. Já no último ano, o valor ficou-se pelos 404,1 milhões de euros, o mais baixo do período em análise.
Menos incumprimento e preços em alta explicam tendência
A redução dos leilões de casas está, em grande medida, associada a dois fatores principais: a valorização contínua do mercado habitacional e o recuo do incumprimento no crédito à habitação concedido pela banca.
Num contexto de subida de preços, os proprietários em dificuldade financeira conseguem, com maior facilidade, vender os imóveis no mercado tradicional, evitando processos executivos e a consequente venda em leilão. Ao mesmo tempo, a melhoria relativa na capacidade de pagamento das famílias, após anos de ajustamento e medidas de apoio, tem contribuído para reduzir o volume de imóveis penhorados.
Embora os dados da OSAE representem apenas uma parte do universo de transações, a tendência de queda é corroborada por outras entidades do setor, como a Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) e a Confidencial Imobiliário, que apontam para uma diminuição do peso relativo dos leilões no mercado.
Ainda assim, alguns operadores sublinham que esta modalidade continua a existir e a desempenhar um papel relevante em nichos específicos, sobretudo em processos judiciais e na recuperação de crédito.
No entanto, especialistas alertam que esta tendência poderá ser sensível a mudanças no contexto económico, nomeadamente ao impacto das taxas de juro, da inflação e do custo de vida no orçamento das famílias.
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