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Juros da casa recuam em maio, mas decisão do BCE pode travar descidas
Junho 22, 2026 · 1:24 pm
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A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação voltou a descer em maio, fixando-se nos 3,065%, menos 1,2 pontos base do que no mês anterior, revelou esta segunda-feira o Instituto Nacional de Estatística (INE). Este indicador traduz a taxa média efetivamente suportada pelas famílias nos empréstimos à habitação em vigor.
Segundo os dados divulgados pelo INE, a taxa de juro implícita baixou face aos 3,077% registados em abril, prolongando a tendência de descida observada nos últimos meses. Nos contratos celebrados nos três meses anteriores, a redução foi igualmente visível: a taxa de juro desceu de 2,833% para 2,820%, uma diminuição de 1,3 pontos base.
Prestação média sobe para 405 euros
No segmento da aquisição de habitação, que representa a maior fatia do crédito à habitação concedido em Portugal, a taxa de juro implícita para o total dos contratos caiu em maio para 3,061%, menos 1,3 pontos base face ao mês anterior.
Já nos contratos celebrados nos últimos três meses para aquisição de habitação, a taxa fixou-se nos 2,814%, recuando 1,5 pontos base relativamente a abril.
Apesar da descida das taxas de juro, a prestação média mensal aumentou ligeiramente.
Em maio, o valor médio da prestação vencida fixou-se nos 405 euros, mais um euro do que em abril e mais 10 euros do que no mesmo mês do ano passado.
Do total da prestação média, 198 euros correspondem ao pagamento de juros, representando 48,9% do valor mensal pago pelas famílias. Os restantes 207 euros dizem respeito à amortização de capital.
Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a prestação média diminuiu 10 euros face ao mês anterior, situando-se nos 692 euros. Ainda assim, este valor representa um aumento homólogo de 8%.
Capital médio em dívida continua a aumentar
O capital médio em dívida no conjunto dos contratos de crédito à habitação voltou a subir em maio. De acordo com o INE, o montante médio em dívida aumentou 643 euros face ao mês anterior, atingindo os 78.257 euros.
Já nos contratos celebrados nos últimos três meses, o capital médio em dívida fixou-se nos 175.805 euros, menos 1.252 euros do que em abril.
Capital médio em dívida continua a aumentar
Os dados agora divulgados pelo INE dizem respeito ao mês de maio e, por isso, ainda não refletem a recente decisão do Banco Central Europeu (BCE) de voltar a aumentar as taxas de juro diretoras em 0,25 pontos percentuais, anunciada a 11 de junho.
A subida dos juros, a primeira desde 2023, foi justificada pelo BCE com o aumento das pressões inflacionistas associado à escalada dos preços da energia na sequência do conflito no Médio Oriente.
Embora as taxas implícitas no crédito à habitação tenham continuado a recuar em maio, a recente decisão do BCE deverá vir a influenciar a evolução futura da Euribor e, consequentemente, as prestações dos contratos com taxa variável nos próximos meses. No entanto, o impacto dependerá também da evolução da inflação, dos mercados financeiros e das próximas decisões do banco central.
O que é a taxa de juro implícita no crédito à habitação?
A taxa de juro implícita corresponde à taxa média efetivamente paga pelas famílias nos contratos de crédito à habitação existentes. É calculada pelo INE com base nos juros pagos e no capital em dívida dos empréstimos.
Este indicador reflete não apenas os novos contratos celebrados, mas o conjunto dos empréstimos à habitação em vigor. Por isso, a sua evolução tende a ser gradual, acompanhando as revisões das taxas dos créditos indexados à Euribor.
Como muitos contratos são revistos apenas de três em três, de seis em seis ou de doze em doze meses, as alterações das taxas diretoras do Banco Central Europeu (BCE) demoram algum tempo a refletir-se totalmente na taxa de juro implícita.
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