Investimento

Investimento imobiliário dispara no 1.º trimestre e ultrapassa os €625 milhões

Maio 22, 2025 · 11:03 am
Foto de John Salzarulo na Unsplash

O 1.º trimestre do ano ficou marcado por uma franca recuperação do investimento em imobiliário comercial que somou €625 milhões transacionados, revela a JLL no seu relatório “Market Dynamics”. Este valor representa quase o triplo do montante investido no período homólogo de 2024, que totalizou €234 milhões.

Este é o 1.º trimestre do ano com maior nível de atividade dos últimos 7 anos, com exceção de 2020. O retalho foi o principal motor do investimento neste período ao concentrar 57% do total, destacando-se, neste segmento, o reforço de importância dos investidores nacionais que geraram 40% do montante, face aos habituais cerca de 20%.

De acordo com Andreia Almeida, Head of Research da JLL Portugal, “o impulso no investimento imobiliário é uma excelente notícia para o mercado e o país, confirmando que Portugal se mantém no radar do capital internacional, enquanto regista uma dinâmica especial por parte dos investidores domésticos.

Ocupação de escritórios sob pressão

A ocupação de escritórios esteve sob forte pressão nos primeiros quatro meses do ano, caindo 45% em Lisboa (para apenas 54.000 m2) e 80% no Porto (para meros 4.500 m2), refere o relatório.

Apesar de 2024 ter sido um ano especialmente forte, a quebra reflete também o impacto do adiamento de decisões das empresas, agravado pela falta de oferta de edifícios novos e de qualidade, adequados aos níveis de exigência de sustentabilidade,

De igual modo, o imobiliário industrial foi também pressionado neste trimestre, assinalando uma quebra de 48%, passando para 84.000 m2 ocupados, devido à falta de oferta disponível.

Os níveis robustos de desempenho dos segmentos de retalho e hotelaria justificam a preferência dos investidores por estas classes de ativos, que agregaram 80% do volume de investimento captado nos primeiros três meses do ano.

Mercado residencial continua a crescer

Destaca-se ainda o crescimento do mercado residencial: os preços das casas em Portugal registaram um dos crescimentos trimestrais mais acentuados em quase 20 anos, de 6,6%, impulsionado pelo estímulo da procura num contexto de escassez de oferta e redução das taxas de juro.

Para Andreia Almeidao mercado imobiliário vai beneficiar da possível estabilização do quadro político, com a tomada de posse do novo Governo. Por outro lado, as condições macroeconómicas devem manter-se na mesma linha, com a continuidade da política de corte nas taxas de juro e controlo de inflação. Por isso, embora tenhamos de ter em conta o potencial efeito do fim da moratória nas tarifas impostas pelos Estados Unidos, o investimento tem condições para manter uma trajetória positiva, até porque, em momentos de maior volatilidade, os ativos reais como o imobiliário, são naturalmente ativos de refúgio.

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