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Imobiliário ‘premium’ em Portugal mantém dinamismo
Março 27, 2026 · 10:56 am
Foto de Frederico Ferreira na Unsplash
O mercado imobiliário residencial em Portugal, em particular no segmento premium, manteve um forte dinamismo ao longo de 2025, sustentado pela confiança das famílias, pela procura internacional e por um contexto económico resiliente. A conclusão é do Market Report Portugal 2025-2026, apresentado esta quinta-feira pela Engel & Völkers, que traça um retrato de um setor em crescimento, mas ainda marcado por desafios estruturais, sobretudo a escassez de oferta.
De acordo com o estudo, a economia portuguesa cresceu 1,9% em 2025, num cenário internacional exigente, reforçando a confiança de compradores e investidores. Este enquadramento traduziu-se numa recuperação expressiva da atividade imobiliária: o número de transações aumentou 15,5% no segundo trimestre, enquanto o volume total de operações realizadas por famílias ultrapassou 8,9 mil milhões de euros.
Ao mesmo tempo, os preços da habitação continuaram a subir de forma significativa, com uma valorização homóloga de 17,7% no terceiro trimestre de 2025, um dos aumentos mais elevados dos últimos anos.
Mercado mais ativo, mas mais segmentado
A análise regional evidencia um mercado imobiliário cada vez mais heterogéneo, com diferenças significativas nos preços médios por metro quadrado.
No Norte, cidades como Braga (1.704€/m²) e Guimarães (1.728€/m²) continuam a apresentar valores mais acessíveis, contrastando com o Porto, onde o preço médio atinge os 4.284€/m². Vila Nova de Gaia surge num patamar intermédio, com 2.607€/m².
Já na região de Lisboa e Centro, os valores mostram maior consolidação, com Lisboa (3.215€/m²), Oeiras (3.117€/m²), Sintra (3.164€/m²) e Setúbal (3.115€/m²). Cascais e Estoril destacam-se como os mercados mais valorizados, com preços médios na ordem dos 5.591€/m².
No Alentejo, a Comporta reforça o estatuto de destino premium, com valores próximos dos 4.265€/m², refletindo a forte procura por localizações exclusivas.
O Algarve mantém-se como o principal polo de luxo em Portugal, com a Quinta do Lago a atingir os 13.256€/m² e o Vale do Lobo os 9.252€/m². Vilamoura regista 7.864€/m² e Lagos cerca de 4.500€/m², enquanto mercados como Portimão, Tavira e Faro continuam relativamente mais acessíveis dentro da região.
Este retrato confirma uma tendência de crescente segmentação do mercado, onde coexistem zonas altamente valorizadas e procuradas a nível internacional com outras mais acessíveis, adaptadas a diferentes perfis de compradores.
Falta de casas continua a pressionar preços
Apesar do crescimento da atividade, o relatório sublinha que o principal entrave ao equilíbrio do mercado continua a ser a escassez de oferta habitacional.
Nos últimos anos, a procura por habitação terá superado a oferta em cerca de 14.000 fogos por ano, um défice que mantém pressão sobre os preços, sobretudo nas áreas metropolitanas e zonas costeiras.
Embora o licenciamento de novos projetos tenha registado um aumento de cerca de 10% no início de 2025, fatores como os longos ciclos de construção e a falta de mão de obra continuam a limitar a capacidade de resposta do setor.
Portugal mantém-se no radar internacional
No segmento premium, Portugal continua a afirmar-se como um destino altamente competitivo a nível global. A qualidade de vida, a segurança e a estabilidade económica mantêm o país no radar de compradores estrangeiros.
“O mercado imobiliário português continua a demonstrar uma notável capacidade de adaptação, mesmo num contexto global exigente”, afirma Daniela Rebouta, Sales Director da Engel & Völkers Lisboa, Oeiras e Setúbal, sublinhando que a procura permanece consistente tanto na compra como no arrendamento.
Também Margarita Oltra, Regional Manager da Engel & Völkers Portugal, destaca uma evolução do perfil dos compradores, que são hoje “mais informados e exigentes”, valorizando fatores como qualidade de construção, sustentabilidade e potencial de valorização.
O relatório aponta ainda para uma intensificação da pressão no mercado de arrendamento, diretamente ligada à dificuldade de acesso à compra e à falta de oferta. O aumento da procura tem contribuído para a subida das rendas e para a redução da disponibilidade de imóveis, sobretudo nas grandes cidades.
Perspetivas positivas para 2026
Para 2026, a Engel & Völkers antecipa um cenário globalmente positivo para o mercado imobiliário nacional. As projeções apontam para um crescimento económico de 2,6%, que poderá impulsionar o investimento e aliviar as condições de financiamento.
A procura deverá manter-se robusta, tanto na compra como no arrendamento, especialmente em zonas urbanas consolidadas e regiões costeiras. Ainda assim, o equilíbrio do mercado continuará dependente da capacidade de aumentar a oferta de habitação, o verdadeiro teste à sustentabilidade do setor no médio prazo.
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