Habitação

Habitação: “Podemos voar até à Lua, mas não garantimos casa para todos”

Abril 21, 2023 · 8:42 am
Imagem de postcardtrip from Pixabay

A crise de habitação afeta toda a Europa, numa altura em que se pode “voar até à Lua”, mas não se consegue “garantir casa para todos”, assinala Marie Linder, presidente da União Internacional de Inquilinos, em Lisboa para uma conferência.

Problemas são transversais a vários países

Em entrevista à Lusa, num bairro de Lisboa, onde decorre uma reunião mundial de inquilinos, a dirigente sueca salienta que “há um problema de falta de habitação em toda a Europa, especialmente nas grandes cidades”.

Ressalvando as diferenças entre norte e sul, Marie Linder reconhece que há aspetos que ligam todos os países: “os jovens não conseguem sair de casa dos pais, porque não há casas acessíveis para eles, há sobrelotação, muitas famílias estão a viver em apartamentos pequenos, não têm quartos para todos, têm de partilhar, e a construção de novas casas está a descer, em toda a Europa”.

“Estamos em 2023. Podemos voar até à Lua e muitas outras coisas, mas não conseguimos garantir uma casa segura para todos. Não é incrível? É isso de que as pessoas precisam, uma casa segura. Podemos fazer todas essas coisas, mas não achamos que seja assim tão importante que todos tenham uma casa segura para viver e não fazemos disso uma prioridade”, lamenta.

Meta traçada pela ONU por cumprir

Recordando que as Nações Unidas estabeleceram como meta que toda a gente tenha uma casa segura e acessível até 2030, Marie Linder realça: “Faltam seis anos e não me parece que vamos atingir esse objetivo, quando olho para a Europa e para o resto do mundo”.

Para alcançar a meta, “todos os países, todos os municípios têm de começar a construir e cada país tem de apoiar o processo de construção, para que as casas sejam acessíveis”, defende, acrescentando a importância de reforçar a habitação pública e de existir uma mudança de visão.

“Toda a gente tem de comer todos os dias, toda a gente tem de ter uma casa. Temos de mudar a mentalidade. Não podemos aceitar que as pessoas não tenham abrigo, não podemos aceitar que as crianças cresçam em apartamentos sobrelotados. Temos de mudar o raciocínio: ter casa é algo muito importante, como ter comida na mesa e acesso à educação. Tem de estar no centro da sociedade”, sustenta.

Associações de inquilinos têm papel fundamental

As associações de inquilinos têm um papel fundamental em fazer avançar essa mudança de perspetiva, defende.

“[Na Suécia], as coisas não aconteceram por acaso. Somos uma associação de inquilinos com força e temos muitos membros. Se nos organizarmos e pressionarmos, podemos mudar as coisas”, vinca.

Como exemplo, Marie Linder recorda que há uns anos o governo sueco tentou impor rendas de mercado para as novas construções (na Suécia as rendas são negociadas entre proprietários e inquilinos), mas conseguiu-se reunir meio milhão de assinaturas para o impedir.

Na Suécia – onde 60% da habitação é pública (em Portugal esta percentagem fica-se pelos 2%) –, os inquilinos têm “bastante segurança”, mas persistem questões. “O Estado não tem assumido a responsabilidade de garantir casas acessíveis para as pessoas”, aponta.

União Internacional de Inquilinos reunida em Lisboa

Em Lisboa, onde está para participar na 22.ª conferência mundial da União Internacional de Inquilinos, a que preside desde outubro de 2019, Marie Linder ouviu dos representantes portugueses explicações sobre os programas e apoios nacionais e municipais que foram apresentados recentemente, para tentar dar resposta a uma crise crescente.

A União Internacional de Inquilinos está reunida em Lisboa para discutir o “problema transversal” da habitação e promover “o direito a uma habitação digna e segura”. Entre quarta e sexta-feira, delegados de 21 países vão debater a habitação em geral e o arrendamento em particular.

Em nota de imprensa, a organização destaca que “a crise global na habitação piorou com o aumento do custo de vida, a guerra e as catástrofes naturais” e, nesse contexto, “as políticas de habitação têm de assumir um lugar central nas agendas políticas nacionais em todo o mundo”.

Com sede em Moscovo e escritório em Bruxelas, a União Internacional de Inquilinos reúne-se em conferência mundial a cada três anos.

Fonte: Lusa

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