Créditos

Governo quer travar fraude no apoio aos juros bonificados

Outubro 20, 2023 · 2:16 pm
Foto de Rook of Arts na Unsplash

O Ministério das Finanças está preocupado com eventuais fraudes no benefício da bonificação dos juros no crédito à habitação. De acordo com notícia do Expresso, o Governo aproveitou a mudança na legislação para apertar o cerco à eventual subdeclaração de rendimentos e património que permita acessos indevidos ao regime.

Bancos devem avaliar clientes

Apesar de o universo de eventuais transgressores ser limitado, a nova legislação obriga os bancos a uma avaliação mais criteriosa dos clientes que pretendam aceder à bonificação e cujas prestações em crédito excedam o rendimento declarado, isto é, quando a taxa de esforço ultrapassa os 100%.

Quando o Executivo decidiu, no mês passado, facilitar o acesso à bonificação dos juros, ampliando o valor da ajuda e o universo de beneficiários, incluiu um novo artigo na legislação, Este impondo aos bancos um “dever de diligência reforçado”, que visa limitar eventuais abusos e já é obrigatório em matéria de branqueamento de capitais.

Taxas de esforço superiores a 100% sob escrutínio

Se um cliente tem um crédito à habitação com uma taxa de esforço igual ou superior a 100% e solicita ao Estado o apoio no pagamento de parte dos juros das suas prestações, os bancos são obrigados a solicitar mais documentação. O artigo adicionado ao Decreto-Lei nº 20-B/2023 diz que “as instituições aplicam medidas acrescidas de diligência, solicitando os documentos e as informações que considerem adequadas para verificar os requisitos para a atribuição da medida”.

É pertinente que as entidades investiguem os meios de subsistência de uma pessoa que tem rendimentos inferiores à prestação do crédito e não declara a existência de património, dado que o regime da bonificação impõe limites aos rendimentos (6º escalão de IRS, €38.632 anuais) e ao património (€29,8 mil).

IGF vai fiscalizar

Porém, a lei vai além deste pedido reforçado de informação: os bancos “informam o mutuário de que as entidades responsáveis pela fiscalização do presente decreto-lei podem aceder à informação necessária para confirmar a veracidade das declarações prestadas”.

As Finanças têm mais informação para detetar estes casos de fraude uma vez que os bancos não têm dados sobre possível património (ações, depósitos e afins) que os clientes possam ter noutras entidades. A legislação agora atualizada coloca a fiscalização nas mãos do universo governamental, cabendo à Inspeção-Geral de Finanças a auditoria aos montantes pagos.

Naturalmente, é necessário distinguir entre casos fraudulentos e situações em que pode haver ajuda de terceiros no pagamento das prestações.

Créditos

A sua prestação da casa sobe ou desce em fevereiro?

O prazo da Euribor do seu contrato tem impactos distintos na prestação da casa.

Créditos

Quanto valem hoje as casas em Portugal?

Avaliação bancária das casas sobe 17% em 2025.

Créditos

Sabe quanto da sua prestação da casa foi para juros em 2025?

Entenda de forma simples quanto pagou em juros e quanto amortizou do seu crédito.

Leia mais

Arquitetura

“Habitar Portugal”: 100 obras de arquitetura em 50 anos de democracia

Comprar Casa

Como tirar a máscara a uma casa na primeira visita

A casa pode estar disfarçada, mas há sinais que não enganam.

Investimento

Investimento imobiliário cresce 22% e reforça atratividade do mercado nacional

O investimento imobiliário em Portugal totalizou 2,8 mil milhões de euros em 2025.

Ajuda imediata ou dívida futura?

Famílias afetadas pelo mau tempo devem analisar bem as propostas de apoio dos bancos, alerta Deco Proteste.