Construção

Governo quer garantir retroatividade do IVA a 6% na construção

Novembro 13, 2025 · 11:55 am
Imagem de pvproductions no Freepik

O ministro das Infraestruturas e Habitação disse, esta quarta-feira, que o Governo propôs garantir a retroatividade da entrada em vigor do IVA a 6% na construção, após associações do setor terem alertado que a demora na implementação o poderia paralisar.

“Não querendo ainda dar pormenores – mas sei que o mercado está expectante para perceber se o IVA a 6% só entrará em vigor após a aprovação ou se será antes – a intenção do Governo, aquilo que colocamos como alteração legislativa, é colocar antes”, disse Miguel Pinto Luz na abertura da XIII Semana da Reabilitação Urbana, na Casa da Arquitetura, em Matosinhos (distrito do Porto).

De acordo com o ministro, o período “de discussão com a Assembleia da República não contará para a entrada em vigor do regime”.

“Se a Assembleia da República demorar alguns meses nessa discussão, o mercado saberá que a intenção do Governo, aquela que colocámos no pedido de alteração legislativa, é retroagir ao momento da nossa decisão“, vincou.

Agente final liquida o IVA

O governante assinalou também, sobre dúvidas relativamente a quem liquidará o IVA, que a intenção do Governo é que seja “aquele que assinar o contrato de confiança, ou que se obrigar a cumprir um determinado conjunto de regras com o Estado”.

“No fundo, é quem vai vender a casa no final, vende a casa e se compromete a vender a casa abaixo dos 648.022 euros. Quem se comprometer a vender a casa, é esse agente final que tem o compromisso de liquidar o IVA. Se incumprir no compromisso, a Autoridade Tributária (AT) naturalmente irá agir”, explicou.

Já quanto ao IVA reduzido em projetos de arquitetura, Miguel Pinto Luz lembrou que “a diretiva europeia é muito clara sobre isso” e que tal figura “só é possível para o ‘affordable housing’ [habitação acessível]”.

“Agora, dimensões como a conceção-construção que estão agora já vertidas no Código dos Contratos Públicos de forma transparente e clara que não era até aqui, abrem espaço para que, no conjunto do produto ‘affordable housing’ estejam incluídos um conjunto de subprodutos para a constituição deste projeto maior”, adiantou ainda.

Construção parada durante 6 meses?

Na semana passada, Manuel Maria Gonçalves, CEO da Associação Portuguesa de Promotores e Investidores Imobiliários (APPII), alertou que a construção habitacional iria ficar parada seis meses à espera da descida do IVA e isso seria “o pior que pode acontecer”.

Também a Associação dos Industriais de Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) apelou à clarificação “urgente” do que acontecerá aos projetos de construção de habitação em curso até à entrada em vigor da descida do IVA de 23% para 6%.

O primeiro-ministro Luís Montenegro anunciou, em 25 de setembro, a proposta de redução da taxa de IVA para 6% para a construção de casas para venda até 648.000 mil euros ou, no caso de casas destinadas ao arrendamento, com rendas até 2.300 euros.

No dia 31 de outubro, o ministro Miguel Pinto Luz disse esperar que o IVA a 6% na construção entrasse em vigor até ao primeiro trimestre de 2026, com a sua discussão a ter início após a conclusão do processo orçamental.

A medida faz parte do pacote “Construir Portugal – Arrendamento e simplificação”, pensado para reforçar a oferta de habitação a preços acessíveis, integrando medidas em articulação com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Este regime fiscal irá vigorar até 2029.

Fonte: Lusa/ Redação

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