Habitação

Crescimento do parque habitacional abrandou entre 2011 e 2021

Maio 8, 2024 · 10:17 am
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O crescimento do parque habitacional português abrandou entre 2011 e 2021, com subidas de 0,8% nos edifícios e 1,9% nos alojamentos familiares clássicos, um aumento “significativamente inferior ao observado em décadas anteriores”, segundo um estudo divulgado pelo Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

Realizado em colaboração com o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), com base nos resultados dos Censos 2021, o estudo “O Parque Habitacional: Análise e Evolução 2011-2021” divulgado hoje aponta que, em 2021, o parque habitacional português totalizava 3.573.416 edifícios, dos quais quase metade (49,8%) foram construídos após 1980.

3,1% dos edifícios construídos entre 2011 e 2021

A maioria destes edifícios foi construída entre 1981 e 2000 (31,9%), com 17,9% construídos neste século, sendo que apenas 110.784 edifícios foram construídos entre 2011 e 2021, representando 3,1% do total.

Esta menor dinâmica de construção na última década refletiu-se no índice de envelhecimento dos edifícios, que em 2021 se situava em 747, destacando-se o Alto Alentejo com o parque habitacional mais antigo (2.571), seguido pelo Baixo Alentejo (2.213) e pelo Alentejo Central (2.200).

Já as regiões do Cávado (266), Ave (322) e Península de Setúbal (419) apresentaram os índices de envelhecimento mais baixos.

Predominam alojamentos de 4 ou 5 divisões

Dos 5.970.677 alojamentos familiares clássicos em 2021, 69,4% eram de residência habitual, totalizando 4.142.581 alojamentos, predominando os de quatro ou cinco divisões (61,6%).

De acordo com o INE, na última década, essa tendência manteve-se, com 54,7% dos alojamentos construídos nesse período a apresentar a mesma configuração.

As residências secundárias representavam 18,5% (1.104 881) e os alojamentos vagos 12,1% (723.215), revelando a análise por região uma tendência para a maior concentração dos alojamentos de residência habitual nas regiões da Área Metropolitana do Porto e da Grande Lisboa.

No que se refere aos alojamentos vagos, com a exceção das regiões do Cávado, Ave e Península de Setúbal, que tinham um peso inferior a 10% (8,6%, 8,7% e 9,6%, respetivamente), todas as restantes regiões variaram a sua representatividade entre 10,0% verificado na Área Metropolitana do Porto e o máximo de 17,4% registado nas regiões do Alto Alentejo e do Médio Tejo.

70% das casas ocupadas pelos proprietários

Dos 4.142.581 alojamentos familiares clássicos de residência habitual existentes em 2021, 2.900.093 estavam ocupados pelo proprietário (70,0%) e os restantes 1.242.488 alojamentos encontravam-se em arrendamento ou noutras situações (30,0%), dos quais 88,8% eram propriedade de particulares ou de empresas privadas e de ascendentes ou descendentes.

Pouco mais de um terço dos proprietários tinha encargos mensais com a sua a aquisição: dos 2.900.093 alojamentos de residência habitual ocupados pelos proprietários, 38,4% (1.112.875) tinham encargos mensais com a sua aquisição.

Considerando os escalões de encargos por compra, verificou-se que em 52,8% dos alojamentos as mensalidades se situavam entre os 200 euros e os 399 euros.

No que se refere aos alojamentos familiares clássicos de residência habitual arrendados, verificou-se que 61,4% dos alojamentos estavam associados a valores de renda entre os 200 e os 649 euros mensais, sendo o valor médio mensal de renda de 334 euros.

Os Censos evidenciaram ainda que a maioria dos edifícios em Portugal (64,2% do total) não apresentava necessidades de reparação.

Adicionalmente, verificou-se que a proporção dos edifícios com necessidade de reparações diminuiu à medida que aumentou o grau das reparações necessárias, com 21,8% a necessitar de reparações ligeiras (780.126 edifícios), 9,4% de reparações médias (335.599 edifícios) e 4,6% de grandes reparações (163.101 edifícios).

Reabilitação inferior à construção nova

O estudo o INE e do LNEC aponta também que, em 2021, tenham sido concluídos 19.616 fogos em obras de construção nova e 3.906 em intervenções de reabilitação, representativas de 83,4% e 16,6% do total de fogos concluídos nesse ano.

“O número de fogos concluídos em intervenções de reabilitação aumentou progressivamente depois de 2015, porém foi inferior ao número de fogos concluídos em obras de construção nova”, nota.

No universo dos fogos concluídos em intervenções de reabilitação entre 2011 e 2021, cerca de 69% resultaram de obras de “ampliação”, 18% de obras de “alteração” e 13% em obras de “reconstrução”.

De referir ainda que, nas últimas décadas, a reabilitação de fogos “tem sido sobretudo promovida por entidades particulares”: A proporção de fogos reabilitados por pessoas singulares representou, em todos os anos, mais de metade do número total de fogos concluídos em intervenções de reabilitação, mas tem vindo a diminuir e foi de 51,5% em 2021.

O maior número de fogos reabilitados ocorreu nas regiões da Grande Lisboa e da Área Metropolitana do Porto que, em 2021, representaram 53,4% do número total de fogos concluídos neste tipo de intervenção em todo o país.

Alojamentos familiares sobrelotados crescem 17,1% entre 2011 e 2021

A proporção de alojamentos familiares sobrelotados era de 12,7% em 2021, num total de 527.855, o que representa um aumento de 17,1% face a 2011.

“Atendendo à evolução intercensitária, verifica-se que a sobrelotação diminuiu entre 1991 e 2011 [-19,6% entre 1991 e 2001 e -20,8% entre 2001 e 2011], sendo que no período de 2011 a 2021 verificou-se uma variação relativa de +17,1%”, aponta o estudo.

Em 2021, “as carências habitacionais quantitativas existentes em Portugal eram de 136.800 alojamentos, correspondendo a 3,3% do total de alojamentos familiares ocupados como residência habitual”.

Do total de carências, destacavam-se um total de 75.494 para suprir situações de alojamentos sobrelotados ocupados por um agregado com um núcleo familiar em coabitação com outras pessoas (55,2%) e um total de 55.098 para suprir situações de alojamentos sobrelotados de agregados com dois ou mais núcleos familiares (40,3%).

Com “menor expressão”, o INE refere a necessidade de 4.042 alojamentos para suprir as situações de agregados domésticos privados em alojamentos não clássicos de residência habitual (3,0%) e a necessidade de 2.166 alojamentos para suprir as situações de agregados com residência habitual em alojamentos coletivos.

Em contrapartida, em 2021 existiam em Portugal 154.075 alojamentos vagos para venda ou arrendamento sem necessidade de reparações ou com necessidade de reparações ligeiras, deduzidos da margem para funcionar o mercado.

“Face às carências habitacionais quantitativas, observava-se uma margem de 17.275 alojamentos imediatamente disponíveis para utilização”, nota o instituto estatístico.

Fonte: Lusa/ Redação

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