Créditos

Créditos com juro variável pressionam poder de compra

Maio 15, 2023 · 4:47 pm
Imagem de Vwalakte no Freepik

Portugal é um dos países da zona euro em que as famílias podem sofrer perdas de poder de compra devido à subida das prestações dos créditos à habitação, pois existe uma predominância de empréstimos com taxas variáveis, alertou hoje Bruxelas.

No relatório sobre as previsões económicas de primavera divulgado hoje, a Comissão Europeia assinala que as taxas de juros do crédito à habitação mais altas deverão ter um impacto limitado nas finanças das famílias na União Europeia (UE), graças à prevalência das hipotecas a taxa fixa, em cerca de 85% do total, mas este não é o cenário para todos os países.

Efeitos indiretos sobre o consumo

“Alguns países com uma grande percentagem de empréstimos à habitação com taxas variáveis, como a Finlândia, Portugal, Chipre e os países bálticos na zona euro e a Suécia, Polónia, Roménia e Bulgária no resto da UE, podem sofrer perda no rendimento discricionário das famílias, com possíveis efeitos indiretos sobre o consumo”, adverte.

De acordo com os dados do Banco de Portugal (BdP), em dezembro de 2022, 90% do ‘stock’ de empréstimos à habitação tinha sido contratado com taxa de juro variável.

No relatório de Estabilidade Financeira, divulgado em 10 de maio, o regulador bancário português assinala que “a proporção de novos empréstimos à habitação com algum tipo de fixação da taxa de juro contratual aumentos nos últimos anos em Portugal, representando cerca de 15% do montante de novos empréstimos em 2022”.

Oferta reduzida limita queda de preços

Nas previsões divulgadas hoje, a Comissão Europeia destaca ainda sobre uma fotografia geral da UE que padrões de crédito mais rígidos e taxas de juros mais altas começaram a pesar sobre os preços das casas, mas afeta os países em graus variados.

“Olhando para o futuro, espera-se que os preços das casas na UE estabilizem em termos nominais neste ano e no próximo, com variações persistentes entre os países”, refere.

Contudo, salienta que “embora o aumento das taxas de juro dos créditos à habitação deva pesar ainda mais sobre a procura de habitação, prevê-se que a oferta de habitação continue limitada na maioria dos países da UE, o que limita o potencial de uma queda generalizada dos preços da habitação”, assinala.

Empresas com reservas de liquidez

No caso das empresas, considera que entre os mitigantes está o facto de as empresas estarem a conseguir preservar as suas margens comerciais e geração interna de capital e que têm reservas de liquidez em depósitos.

A evolução das taxas de juro Euribor está intimamente ligada às subidas ou descidas das taxas de juro diretoras Banco Central Europeu (BCE).

Após vários anos em terreno negativo, as Euribor começaram a subir mais significativamente desde 04 de fevereiro, depois de o BCE ter admitido que poderia subir as taxas de juro diretoras para combater a alta inflação na zona euro.

De então para cá, o BCE já aumentou as taxas diretoras por sete vezes (a última vez a semana passada, passando a taxa de juro das principais operações de refinanciamento para 3,75%), o que significa um agravamento do valor que os clientes pagam pelos créditos, desde logo para compra de casa, o que tem deixado muitas famílias em dificuldades.

No Relatório de Estabilidade Financeira, hoje divulgado, o BdP diz que a expectativa do mercado é que o aumento das prestações dos créditos à habitação irá manter-se até setembro, ainda que mais acentuado para os empréstimos indexados à Euribor a 12 meses e mais moderado nos indexantes com prazos inferiores, sobretudo no caso da Euribor a três meses.

Fonte: Lusa

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