Créditos

Crédito habitação: 10 perguntas para perceber as novas regras

Agosto 3, 2026 · 7:06 am
Image by magnific

Quem está a pensar comprar casa encontra agora regras diferentes na avaliação do crédito à habitação. O Banco de Portugal (BdP) reviu a recomendação macroprudencial dirigida aos bancos, alterando critérios como a taxa de esforço, os prazos máximos dos empréstimos e algumas regras de concessão de financiamento.

Estas orientações não definem direitos dos clientes nem impedem automaticamente a aprovação de um crédito, mas estabelecem os critérios prudenciais que as instituições financeiras devem seguir quando avaliam a capacidade de pagamento dos mutuários.

Eis as respostas às principais dúvidas.

1. A quem se aplicam estas regras?

A recomendação dirige-se às instituições de crédito e sociedades financeiras autorizadas a conceder crédito em Portugal.

Na prática, estabelece as regras que os bancos devem seguir quando analisam um pedido de financiamento, tanto para crédito à habitação como para outras modalidades de crédito.

2. Quais são as principais alterações?

O Banco de Portugal introduziu quatro mudanças principais:


  • a taxa máxima de esforço recomendada baixa de 50% para 45%;

  • passam a existir apenas dois escalões para o prazo máximo dos empréstimos;

  • deixa de existir a exceção que permitia financiar até 100% imóveis pertencentes ao próprio banco;

  • o leasing imobiliário deixa de estar abrangido por esta recomendação.


3. Porque é que o Banco de Portugal mudou as regras?

Segundo o supervisor, o objetivo continua a ser evitar o sobre-endividamento das famílias e preservar a estabilidade do sistema financeiro.

A decisão surge num contexto em que o crédito à habitação voltou a crescer de forma expressiva, acompanhado pela subida dos preços das casas e por uma maior procura por parte de compradores jovens.

Ao mesmo tempo, depois do ciclo de subida das taxas de juro iniciado em 2022, o mercado entrou numa fase de maior dinamismo, o que levou o Banco de Portugal a reforçar os critérios prudenciais para evitar riscos futuros.

4. O que é a taxa de esforço e o que muda?

A taxa de esforço corresponde à percentagem do rendimento mensal destinada ao pagamento de empréstimos.

Com as novas regras, a recomendação passa a ser que este valor não ultrapasse 45% do rendimento líquido.

Neste cálculo entram todas as prestações de crédito do agregado, não apenas o crédito à habitação.

Além disso, os bancos continuam obrigados a simular um cenário de subida das taxas de juro para verificar se o cliente conseguiria continuar a pagar o empréstimo.

5. Existem exceções ao limite dos 45%?

Sim.

O Banco de Portugal continua a permitir alguma flexibilidade. Até 10% dos novos contratos podem ultrapassar este limite, desde que o banco considere existirem fatores que reduzam o risco da operação.

Isto significa que uma taxa de esforço superior a 45% não impede automaticamente a aprovação de um crédito.

6. Qual passa a ser o prazo máximo dos empréstimos?

Agora existem apenas dois escalões:


  • até aos 35 anos de idade, o prazo máximo recomendado é de 40 anos;

  • para clientes com mais de 35 anos, o limite é de 35 anos.


Anteriormente existiam três escalões etários.

7. O banco continua a financiar apenas 90% da casa?

Regra geral, sim.

O Banco de Portugal mantém a recomendação para que os bancos financiem:


  • até 90% do menor valor entre o preço de compra e a avaliação, quando se trata de habitação própria e permanente;

  • até 80% nas restantes situações.


Desaparece, contudo, a exceção que permitia financiamento até 100% quando o imóvel pertencia ao próprio banco.

Importa lembrar que esta recomendação convive com regimes específicos, como a garantia pública destinada a jovens até aos 35 anos, que pode permitir um financiamento correspondente à totalidade do valor da aquisição, desde que estejam reunidos os respetivos requisitos legais.

8. Estas regras aplicam-se apenas ao crédito habitação?

Não.

A recomendação também abrange outras modalidades de crédito concedidas a particulares, incluindo crédito pessoal e crédito automóvel.

9. Existem limites para os prazos do crédito ao consumo?

Sim.

A recomendação prevê que:


  • o crédito pessoal tenha, em regra, um prazo máximo de sete anos;

  • os créditos destinados a educação, saúde ou transição energética possam ir até dez anos;


o mesmo limite de dez anos se aplique ao crédito automóvel.


  1. Estas regras obrigam os bancos a aprovar ou rejeitar um crédito?

Não.

As orientações do Banco de Portugal são recomendações macroprudenciais dirigidas às instituições financeiras.

Cada banco continua a analisar individualmente a situação financeira do cliente, podendo considerar outros elementos relevantes na avaliação do risco.

Na prática, estas regras procuram assegurar uma concessão de crédito mais prudente, protegendo simultaneamente as famílias e a estabilidade do sistema financeiro.

Créditos

Hipoteca: a casa é do banco enquanto paga o crédito?

Perceba o que está em causa quando um imóvel serve de garantia a um empréstimo.

Créditos

Prestação da casa volta a subir: veja quanto pode pagar a mais

Quem tiver o crédito à habitação revisto em setembro vai voltar a sentir o efeito da subida das Euribor.

Créditos

Crédito para comprar casa dispara para máximo de mais de 20 anos

Desde 2003 que não se pedia tanto dinheiro aos bancos para comprar casa.

Leia mais

Dicas

A batalha dos eletrodomésticos: onde se esconde a sua fatura da luz?

Descubra quanto custa utilizar cada equipamento e quais são os que pesam mais na fatura da eletricidade.

Construção

Construção já emprega 400 mil pessoas, mas custos disparam

O emprego aumentou 11,2% no segundo trimestre e já é o número mais elevado desde 2011.

Habitação

Rendas até um terço do salário: nova associação apresenta proposta

A AHDPP propõe juntar investimento privado e gestão municipal para criar arrendamento acessível.

Créditos

Hipoteca: a casa é do banco enquanto paga o crédito?

Perceba o que está em causa quando um imóvel serve de garantia a um empréstimo.