Construção
Construção já emprega 400 mil pessoas, mas custos disparam
Setembro 16, 2026 · 9:56 am
Image by jcomp on Magnific
O setor da construção empregava 400,4 mil pessoas no final do segundo trimestre de 2026, o número mais elevado desde 2011. O crescimento do emprego, do investimento e do Valor Acrescentado Bruto (VAB) levou a Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas (AICCOPN) a destacar a “dinâmica positiva” da atividade entre abril e junho.
De acordo com os números do Instituto Nacional de Estatística (INE), recuperados pela associação, a população empregada na construção aumentou 11,2% e passou a representar 7,4% do emprego total em Portugal.
Investimento e atividade mantêm-se em crescimento
O investimento na construção cresceu 1,8% em termos homólogos, isto é, em comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. Face aos primeiros três meses de 2026, a subida foi de 1,9%.
Também o VAB do setor evoluiu positivamente, com um aumento de 1,6% face ao segundo trimestre de 2025 e de 0,3% em relação ao trimestre anterior.
Segundo a AICCOPN, o financiamento bancário acompanhou esta evolução, impulsionado pelo aumento do crédito à habitação e do financiamento destinado à atividade empresarial.
Mais projetos multifamiliares de grande dimensão
Apesar dos indicadores positivos, os custos continuaram a pressionar o setor. No segundo trimestre, aumentaram 7,2% em termos homólogos, refletindo uma subida de 6,5% nos materiais e de 8% na mão de obra.
Esta evolução significa que o crescimento da atividade continua acompanhado por encargos mais elevados para as empresas, sobretudo ao nível dos recursos humanos.
No primeiro semestre, o número de fogos licenciados aumentou 4%, apesar de o total de licenças emitidas ter diminuído 8,9%.
A diferença entre os dois indicadores revela um aumento do número médio de habitações por licença. Para a AICCOPN, estes dados sinalizam um reforço da oferta habitacional futura e uma maior presença de projetos multifamiliares de grande dimensão.
Na prática, foram emitidas menos licenças, mas os projetos autorizados preveem, em média, um número superior de casas.
Obras públicas mantêm atividade, mas há menos concursos
A atividade das obras públicas permaneceu em níveis elevados, sustentada pelo volume de trabalhos em carteira resultante dos máximos de contratação pública alcançados em 2025 e atualmente em execução.
Os novos procedimentos, contudo, abrandaram. Até julho, foram lançados concursos públicos no valor total de 4.935 milhões de euros, menos 28% do que no mesmo período de 2025.
Os contratos celebrados e registados no Portal Base também recuaram 28%, para 2.504 milhões de euros.
O segundo trimestre deixou, assim, dois retratos do setor: o emprego, o investimento e a atividade continuam a crescer, enquanto os custos permanecem elevados e os novos procedimentos de obras públicas mostram sinais de abrandamento.
Fonte: Lusa/ Redação
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