Habitação

Carta Municipal de Habitação do Porto em consulta pública

Fevereiro 25, 2025 · 2:18 pm
Foto de Tayan Lima na Unsplash

O executivo da Câmara do Porto aprovou esta segunda-feira, por maioria, submeter a consulta pública a Carta Municipal de Habitação, que determina duas áreas de pressão urbanística e coloca todo o concelho em situação de carência habitacional.

A submissão a consulta pública durante 30 dias da Carta Municipal de Habitação, instrumento de planeamento e ordenamento territorial, foi aprovada por todos os partidos, à exceção do BE, que votou contra.

Numa apresentação ao executivo, o vereador do Urbanismo da Câmara do Porto, Pedro Baganha, esclareceu que a elaboração da carta foi “faseada em cinco períodos” e que dela resultam um “conjunto de ações e instrumentos”.

Segundo o vereador, as “consequências imediatas e úteis” do documento são a definição de duas zonas de pressão urbanística – uma no centro histórico e Bonfim, e outra na zona da Foz do Douro – e a declaração fundamentada de carência habitacional.

“Considera-se estar demonstrada que a situação de carência habitacional no concelho abrange a totalidade do território municipal e que se justifica a necessidade da presente declaração”, referiu.

“Carência habitacional” permite outros instrumentos

A declaração fundamentada de carência habitacional permite ao município recorrer a um conjunto de instrumentos “considerados imprescindíveis” para a concretização dos objetivos e ações da carta.

Já para a delimitação das duas zonas de pressão foram considerados três indicadores: carência (famílias em lista para atribuição de casa e famílias apoiadas pelo Porto Solidário), mercado (valor das vendas por metro quadrado e Alojamentos Locais) e parque habitacional (alojamentos familiares vagos).

Destacando que a carta é “um belo ponto de partida para políticas municipais”, Pedro Baganha detalhou ainda que foram considerados quatro desafios: acessibilidade, equidade, sustentabilidade e parcerias.

O documento estabelece ainda algumas “metas quantitativas” para 2034 como diminuir de 1.000 para 600 o número de pedidos de apoio para atribuição de habitação municipal em lista de espera.

Alcançar 16.000 habitações públicas, que em 2024 eram 13.265, e ter 2.800 agregados a viver em regime de renda acessível (em 2024 eram 430) são outras das metas.

Mais de 3 mil agregados em habitação indigna

No âmbito da Carta Municipal de Habitação foi também elaborado um diagnóstico que, entre outras questões, identifica os padrões de vulnerabilidade, as novas necessidades habitacionais e as necessidades de requalificação do edificado.

Segundo o diagnóstico, 3.070 agregados familiares vivem em condições habitacionais indignas, 16.074 vivem em alojamentos sobreocupados e 32.465 em alojamentos sem aquecimento.

Pelo PSD, Mariana Ferreira Macedo considerou que o diagnóstico feito “ajuda a ter plena exatidão da dimensão atual” e saudou o facto de a carta “estar alheada de qualquer ideologia”.

“Devemos ir ao encontro das necessidades das pessoas sem qualquer vínculo ideológico”, afirmou.

Também o socialista Tiago Barbosa Ribeiro considerou o documento “importante para estabelecer os alicerces das políticas” ao permitir “identificar e radiografar o território”.

Já a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, lamentou o atraso na concretização do documento que “dificultou a declaração fundamentada de carência habitacional”.

“Há muito que considero que a cidade tem carência habitacional e precisa dessa declaração para poder concorrer a todos os instrumentos existentes”, referiu.

Em resposta, Pedro Baganha defendeu que a “ausência da carta não deteve o município a reabilitar habitação com fundos como o PRR [Plano de Recuperação e Resiliência]”.

Pelo BE, Sérgio Aires lamentou também a demora na elaboração do documento e apelou para que, face à importância, o período de consulta pública da carta fosse superior a 30 dias úteis, permitindo que mais cidadãos se manifestassem.

O apelo foi recusado pela maioria municipal, com o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, a afirmar que compete às forças políticas ajudarem o município a divulgar as consultas públicas e envolver a cidade.

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