Habitação

Câmara de Lisboa aprova programa de cooperativas para construção de habitação

Fevereiro 15, 2024 · 10:30 am
Lumiar

A Câmara de Lisboa aprovou ontem o modelo contratual para o Programa Cooperativas 1ª Habitação, proposto pela liderança PSD/CDS-PP e viabilizado com alterações do PS e do Livre, para a construção de habitação sem fins lucrativos em terrenos municipais.

“A produção de habitação acessível por via da cedência de património municipal ao abrigo da figura jurídica do direito de superfície a cooperativas de habitação é uma solução que permite prosseguir o objetivo de alargar e acelerar a oferta habitacional acessível com base em património e apoio público”, realçou a Câmara Municipal de Lisboa (CML) em comunicado.

Programa Cooperativas 1.ª Habitação aprovado

Em reunião privada do executivo municipal, o modelo contratual para o Programa Cooperativas 1ª Habitação, sustentado na utilização da figura jurídica do direito de superfície “por um período de 90 anos” a constituir sobre terrenos cedidos pelo município, foi aprovado com os votos a favor da liderança PSD/CDS-PP, que governa sem maioria absoluta, e a abstenção de toda a oposição, nomeadamente PS, Livre, Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre), PCP e BE.

A proposta dos “Novos Tempos” (PSD/CDS-PP/MPT/PPM/Aliança) foi viabilizada com a incorporação de alterações sugeridas pelo PS e pelo Livre e, além do modelo contratual para o Programa Cooperativas 1ª Habitação, incluiu o lançamento da operação de cooperativa de habitação na Rua António do Couto, no Lumiar, que tem já o projeto de arquitetura aprovado, com 18 habitações – cinco T1 (146 mil euros cada), nove T2 (216 mil euros cada) e quatro T3 (289 mil euros cada) –, com 22 lugares de estacionamento, prevendo um investimento total da cooperativa (c/IVA) de 3,83 milhões de euros e um encargo médio por habitação de 213 mil euros.

Cooperativas destinam-se a jovens e famílias de classe média

O PS propôs que as cooperativas de habitação se destinem “apenas à gama de rendimentos abrangidos pelo Programa de Renda Acessível, dirigindo assim este programa para os jovens e famílias da classe média”.

Esse aditamento foi aprovado por unanimidade, obrigando os cooperadores a cumprirem com os valores mínimo e máximo do rendimento global do agregado habitacional previstos no Regulamento Municipal do Direito à Habitação nos parâmetros aplicáveis ao acesso à habitação com renda acessível.

Nesse âmbito, o valor mínimo do rendimento global do agregado para um adulto é de 100% da Retribuição Mínima Nacional Anual, ou seja, 11.480 euros e por cada adulto adicional acresce 50% da Retribuição Mínima Nacional Anual, enquanto o valor máximo do rendimento global do agregado habitacional para uma pessoa é de 35.000 euros/ano, para um agregado com duas pessoas é de 45.000 euros/ano e para uma família com mais de duas pessoas é de 45.000 euros/ano + 5.000 euros/ano por cada dependente adicional que conste na declaração de IRS. A taxa de esforço de referência é de 30%.

“Como a proposta original dos ‘Novos Tempos’ não definia balizas de rendimentos, sem a ressalva efetuada pelo PS, a CML poderia estar a entregar terrenos de largos milhões de euros sem nenhuma garantia que isso contribuísse para garantir maior equidade social no acesso à habitação, desviando recursos públicos para quem deles não necessita”, realçou a vereação socialista, numa nota enviada à Lusa.

PS critica ausência de financiamento

O PS criticou ainda a visão da liderança PSD/CDS-PP por considerar que existe “apenas um problema de oferta e não uma falha do mercado que, mesmo com aumento da oferta, não garante por si maior número de casas acessíveis”, referindo que prova disso é a ausência de uma linha de financiamento às cooperativas de habitação.

“Sem essa linha de financiamento, e sem que os cooperadores possam apresentar ao banco a futura casa como colateral, o alcance do programa fica claramente comprometido”, alertaram os socialistas.

Por proposta do Livre, aprovada com os votos contra de PSD/CDS-PP, o modelo contratual para o Programa Cooperativas 1ª Habitação prevê que a seleção das cooperativas é por concurso, através da avaliação das propostas com base em critérios objetivos, em vez de ser por sorteio.

Neste momento, a câmara tem “identificadas 500 habitações, espalhadas um pouco por toda a cidade”, para construir em terrenos municipais através do modelo de cooperativas, informou a vereadora da Habitação, Filipa Roseta (PSD), adiantando que há cinco projetos em preparação, nomeadamente para 18 habitações no Lumiar, 12 em Benfica, 15 em Arroios, 21 em São Vicente e 23 em Santa Clara.

Na reunião, o executivo viabilizou ainda, com a abstenção dos Cidadãos Por Lisboa, a atribuição de uma indemnização de 1,14 milhões de euros aos lesados pelo município pela apropriação ilegítima de um terreno, com 1.297 metros quadrados, no Lumiar, devido a um erro cadastral.

Fonte: Lusa

Alojamento Local

Porto regista quase cinco vezes mais novos alojamentos locais do que Lisboa

Apesar dos cancelamentos de registos inativos, o alojamento local continua a aumentar.

Habitação

Câmara de Lisboa retira associações de moradores do Conselho Municipal de Habitação

Nova composição reúne oito entidades, mas associações de moradores deixam de ter lugares individuais.

Dinheiro

Lisboa está em risco de bolha imobiliária?

Os preços da habitação na capital portuguesa estão cada vez mais distantes dos rendimentos das famílias. O que significa isso?

Leia mais

Decoração

Bebé a caminho? 10 ideias para o ninho perfeito

Inspire-se nestas ideias!

Profissionais

Yes Academy leva dados e estratégias imobiliárias ao Barreiro

Dados, comunicação e estratégias de negócio marcaram uma manhã de formação dedicada aos profissionais da mediação imobiliária.

Habitação

OE2027: Jovens mantêm apoios à compra da primeira casa

A proposta de Orçamento para o próximo ano mantém a garantia pública e as isenções de IMT e Imposto de Selo.

Habitação

Matosinhos: 204 casas de renda acessível à espera de avançar

IHRU mantém intenção de construir habitações com financiamento do BEI.