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Burlas no arrendamento de casas de férias: como evitar!

Abril 16, 2026 · 2:29 pm
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A GNR alertou esta quinta-feira a população para as burlas na aquisição e arrendamento de casas, numa altura em que se aproxima a época de férias, especialmente através de plataformas digitais, recomendando procedimentos de segurança preventivos.

Em comunicado, a Guarda Nacional Republicana (GNR) adianta que em 2025 registou 725 burlas na aquisição e arrendamento de casas.

No período de 2024 e 2025, a GNR deteve três suspeitos ligados a estas atividades ilícitas.

“Embora se verifique uma ligeira redução de 5% [em 2025] face às 762 ocorrências de 2024, o fenómeno permanece disperso por todo o território, com especial incidência em zonas turísticas e grandes centros urbanos”, refere a Guarda.

Faro com mais ocorrências

Segundo os dados da GNR, Faro lidera com 153 crimes (cerca de 21% do total nacional), seguindo-se Setúbal (91 ocorrências), Lisboa (86) e Braga e Porto (72 cada), Aveiro (46), Leiria (41), Santarém (38), Castelo Branco (21) e Viseu (20).

A GNR destaca o crescimento acentuado deste tipo de crime em distritos do interior e do norte, com Portalegre a registar um aumento de 150% (quatro crimes em 2024 e 10 no ano passado), Viana do Castelo de 89% (nove crimes em 2024 e 17 no ano passado), Leiria 78% (23 crimes em 2024 e 42 em 2025) e Castelo Branco 75% (12 em 2024 e 21 em 2025).

Como atuam os burlões

Na nota, a GNR lembra que o ‘modus operandi’ envolve o uso de fotografias de casas reais para criar anúncios fictícios com preços abaixo do mercado, visando atrair as vítimas pela vantagem económica.

O objetivo do método é, segundo a GNR, levar a vítima a efetuar um pagamento imediato (sinal) para garantir a reserva, sem qualquer contacto presencial ou visita ao imóvel.

“A burla é frequentemente detetada apenas meses depois, quando o contacto do anunciante é desativado ou a vítima se desloca à morada, constatando que a mesma não existe ou não está disponível para arrendar”, indica a Guarda.

Assim, a GNR aconselha a população a desconfiar de “negócios irresistíveis” com preços muito abaixo da média da zona, a visitar presencialmente o imóvel, a investigar o anúncio, pesquisando se as mesmas fotografias aparecem em diferentes plataformas com contactos ou preços distintos.

Recomenda igualmente a população a pedir a identificação do anunciante e verificar se o titular da conta bancária para o pagamento corresponde ao nome fornecido e a não ceder a pedidos de sinalização imediata sob pretexto de haver “muitos interessados”.

Outras técnicas utilizadas

A falta de oferta de imóveis a preços acessíveis leva muitos burlões a colocar anúncios de propriedades a preços apelativos que, naturalmente, atraem muitos interessados. Depois, a técnica (entenda-se, a mentira) pode variar, mas o objetivo é comum: enganar os possíveis arrendatários ou compradores.

Em qualquer burla, imobiliária ou outra, o primeiro passo é sempre a conquista de confiança. Os burlões são, regra geral, gentis e simpáticos. Estabelecem contacto, aproximam-se da vítima, ganham confiança e fazem um cerco.

Contam histórias complexas, por vezes até emotivas, que imprimem urgência ao negócio e que justificam o tratamento à distância: estão fora do país, têm outros interessados em fechar o negócio, sofreram um acidente, etc.

Claro que também há burlões que dão a cara, que não são quem dizem ser e podem até apresentar documentos falsos. Por norma, se os interessados começam a colocar muitas questões ou a colocar entraves, tornam-se mais agressivos ou evasivos.

As burlas mais comuns



  • Falsos anúncios de arrendamento: Os burlões divulgam anúncios de arrendamento em portais de classificados gratuitos ou em redes sociais, utilizam fotografias e descrições atraentes, apresentam preços muito competitivos. Pedem um depósito para reservar o imóvel e, antes da visita, desaparecem com o dinheiro.




  • Proprietários falsos: Esta é uma fraude mais sofisticada, já que os burlões se passam por proprietários do imóvel e fazem as visitas aos interessados em arrendar a casa. Há muitas maneiras de conseguir a cópia da chave, mais difícil é para os possíveis inquilinos perceberem que estão a ser enganados. Os meliantes cobram dinheiro adiantado como caução ou depósito e, claro, desaparecem sem deixar rasto.




  • Falsos compradores: Esta também é uma técnica comum. Os interessados manifestam a sua vontade de adquirir um imóvel, mas são estrangeiros e estão fora do país o que justifica todo o tratamento burocrático à distância. Enviam a documentação (falsa, claro) e, no momento da sinalização ou da compra, acontece um problema que impede a transferência. Por regra, para desbloquear esta transferência de um valor avultado, é necessário o pagamento de uma pequena quantia por parte do vendedor (a desculpa varia) e, depois de feito este pagamento, o “comprador” desaparece e a vítima perde o dinheiro.




  • Os burlões são criativos e vão adaptando as suas técnicas. Naturalmente, aproveitam-se de pessoas em situações mais frágeis, como estudantes, estrangeiros ou outros que, por conhecerem pior a realidade do país ou serem mais crédulas, caem no engodo. Tenha cuidado com os seus documentos pessoais, já que podem ser usados indevidamente, e não entregue informação bancária sensível.


Como evitar ser enganado



  •  Os sites de classificados que apresentam anúncios de particulares não dão garantias da veracidade do anúncio nem se responsabilizam por ele, caso algo corra mal durante o negócio. Optar por uma agência imobiliária ou por um portal como Casa Yes, que apenas tem anúncios de profissionais, confere maior segurança a todo o processo de aquisição ou arrendamento de um imóvel.




  • Desconfie de anúncios demasiado vantajosos, com preços muito apelativos e abaixo do valor de mercado. São normalmente o “isco” usado pelos burlões para apanhar os incautos.




  • Suspeite de propostas em que não pode visitar o imóvel, desconfie de situações urgentes que o pressionam a decidir sem ter tempo para confirmar todos os dados.




  • Seja sempre rigoroso na confirmação dos dados que lhe são fornecidos. Veja a localização do imóvel, compare as fotografias com outras casas na mesma zona. Visite a propriedade e tente falar com os vizinhos.




  • Não faça nenhum pagamento sem confirmar a identidade e legitimidade dos proprietários. Pode confirmar a propriedade de um imóvel através da certidão permanente, disponível na plataforma Registo Predial Online, com um custo de 15 euros. A certidão permanente predial é um documento com todos os registos sobre um imóvel, designadamente, informações sobre todos os encargos e ónus e tem validade de seis meses.




  • Exija toda a documentação associada ao imóvel e, no caso de arrendamentos, prefira assinar um contrato de arrendamento.




  • Utilize meios de pagamento rastreáveis, como transferências bancárias: não pague em dinheiro.


O que fazer se for vítima de fraude



  • Muitas vezes, os burlões são “protegidos” pela vergonha das suas vítimas. Se for vítima de fraude, contacte as autoridades imediatamente e forneça todas as informações relevantes.




  • Guarde todos os registos de comunicações, mensagens, documentos, contratos, etc., com os burlões. Comunique a fraude à plataforma que publicou o anúncio falso para evitar que outras pessoas sejam ludibriadas.




  • Procure um advogado para receber aconselhamento jurídico adequado e saber como proceder. No caso de ter partilhado documentos pessoais ou informação bancária, esteja atento às suas contas, avise o seu banco  e tente garantir que estes dados não são indevidamente utilizados.




  • Partilhe a sua situação com amigos e família. Quanto maior conhecimento houver sobre as técnicas fraudulentas utilizadas pelos burlões, menos pessoas serão enganadas.


Fonte: Lusa/ Redação

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