O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira manter as taxas de juro nos 2%, pela sexta vez consecutiva, mas alertou que a guerra no Médio Oriente tornou as perspetivas económicas “consideravelmente mais incertas”. Embora não haja alterações imediatas aos juros, os preços da energia e a inflação já estão a pressionar o bolso das famílias e podem refletir-se nas suas prestações de crédito à habitação nos próximos meses.
Para os consumidores, a decisão do BCE significa que não haverá aumento imediato das prestações dos créditos à habitação ligados à Euribor. No entanto, a guerra já está a gerar efeitos indiretos: os preços dos produtos energéticos subiram, e este aumento tem um efeito em cadeia, refletindo-se em outros bens e serviços, desde a alimentação aos transportes.
Mesmo sem subida imediata das taxas, famílias com contratos de revisão nos próximos meses devem estar preparadas para alterações graduais, uma vez que o conflito poderá levar a um aumento das Euribor.
Projeções económicas e incerteza futura
O BCE publicou também projeções económicas atualizadas: a inflação é revista em alta para 2,6% em 2026. Por outro lado, o crescimento da zona euro foi revisto em baixa, para 0,9% em 2026, refletindo os efeitos da guerra nos mercados de matérias-primas, nos rendimentos reais e na confiança global. Para 2027 e 2028, a inflação deverá situar-se em 2,0% e 2,1%, respetivamente.
O Conselho do BCE assegurou estar a “acompanhar de perto a situação” e que a sua política será ajustada consoante os dados, o que significa que futuras subidas de juros continuam possíveis caso a guerra prolongue os efeitos inflacionistas.
Com a decisão desta quinta-feira, as taxas aplicáveis permanecem inalteradas: facilidade permanente de depósito em 2,00%, operações principais de refinanciamento em 2,15% e facilidade permanente de cedência de liquidez em 2,40%.
Fonte: Lusa / Redação