Habitação
Até que idade vivem os jovens em casa dos pais?
Setembro 28, 2026 · 4:29 pm
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Sair de casa dos pais é um dos primeiros grandes passos para a vida adulta, mas não acontece da mesma forma nem na mesma idade em toda a Europa. Entre os jovens que partem cedo para estudar ou trabalhar e aqueles que permanecem com a família até conseguirem suportar uma renda ou comprar casa, há diferenças culturais, mas também económicas.
O emprego, os salários, o custo da habitação, os apoios públicos e a própria estrutura do mercado de arrendamento ajudam a explicar por que razão, em alguns países, a emancipação acontece quase uma década mais tarde do que noutros.
Por isso, sair de casa dos pais aos 21 anos na Finlândia ou depois dos 31 na Croácia não significa necessariamente que os jovens de um país desejem mais a independência do que os do outro. Por detrás da diferença de uma década que atravessa a Europa estão formas distintas de estudar, trabalhar, arrendar, comprar casa e constituir família.
Os números não medem apenas hábitos familiares, refletem também as oportunidades que cada país oferece aos jovens para construírem uma vida autónoma. Em 2025, essa combinação colocou a idade média de saída de casa dos pais nos 26,3 anos na União Europeia. Em Portugal, o momento chegou dois anos e meio mais tarde, aos 28,8 anos.
Os países com mais custos com habitação
Nos países do norte europeu, é mais habitual sair cedo para frequentar o ensino superior e não regressar de forma permanente à casa dos pais. A existência de apoios sociais, residências estudantis, um mercado de arrendamento mais desenvolvido e melhores níveis de emprego jovem também facilita essa transição. Sair mais cedo, contudo, não significa viver sem dificuldades: em vários destes países, os jovens enfrentam uma maior sobrecarga com os custos da habitação.
No sul e em parte do leste da Europa, a permanência em casa da família prolonga-se com maior frequência até existir um emprego estável, uma relação conjugal ou condições para comprar casa. Há uma componente cultural, associada à proximidade familiar e a uma maior aceitação da convivência entre gerações, mas há também obstáculos económicos muito concretos: salários, precariedade laboral, rendas elevadas, preços de compra e dificuldade em reunir a entrada necessária para obter crédito.
Sair de casa dos pais continua a acontecer tarde para muitos jovens portugueses. Em 2025, a idade média estimada de saída do agregado familiar dos pais fixou-se nos 28,8 anos em Portugal, mais dois anos e meio do que a média da União Europeia, de 26,3 anos.
Os números colocam Portugal na sexta posição entre os 27 Estados-membros, a par da Eslovénia. Apenas os jovens da Croácia, Grécia, Eslováquia, Espanha e Itália permanecem mais tempo em casa dos pais.
Os dados constam da mais recente atualização do Eurostat sobre a idade de saída da casa dos pais, que serviu de base a um artigo da Euronews sobre os europeus que ficam mais tempo a viver com a família.
Portugal está dois anos e meio acima da média europeia
No conjunto da União Europeia, em 2025, os jovens deixaram a casa dos pais, em média, aos 26,3 anos, ligeiramente mais tarde do que em 2024, quando a idade estimada era de 26,2 anos.
A alteração anual é pequena e não representa uma mudança de tendência. Segundo o Eurostat, a média europeia tem permanecido próxima dos 26 anos desde 2002. Por trás dessa aparente estabilidade, porém, escondem-se diferenças muito acentuadas entre países.
Na Croácia, a saída só acontece aos 31,5 anos. Seguem-se a Grécia e a Eslováquia, ambas com 30,9 anos, e Espanha e Itália, com 30,2. Portugal surge logo depois, com 28,8 anos.
No extremo oposto está a Finlândia, onde os jovens deixam a casa dos pais aos 21,3 anos. Na Dinamarca, a média é de 21,8 anos, enquanto na Estónia e na Lituânia se fixa nos 22,7 anos.
Entre a Finlândia e a Croácia há uma diferença superior a dez anos. O mapa europeu revela, assim, uma linha bastante clara: a emancipação tende a acontecer mais cedo no norte da Europa e mais tarde nos países do sul e em parte do leste europeu.
Fonte: Eurostat (Os lugares repetidos correspondem a países com a mesma idade média).
O que mede realmente este indicador?
A “idade média de saída” não resulta apenas da idade declarada pelas pessoas que mudaram de casa durante o ano. Trata-se de uma estimativa calculada pelo Eurostat a partir do Inquérito às Forças de Trabalho da União Europeia.
O cálculo acompanha, entre os 15 e os 34 anos, a proporção de pessoas que vive ou não no mesmo agregado familiar que os pais. O indicador corresponde à idade em que 50% da população já não reside com os pais.
Esta distinção é importante: os 28,8 anos registados em Portugal não significam que todos os jovens saiam de casa exatamente nessa idade. O valor assinala o ponto em que metade já deixou o agregado familiar de origem e a outra metade continua a viver nele.
Emprego não conta toda a história
A Euronews relaciona a saída mais tardia de casa com as condições económicas enfrentadas pelos jovens. Em 2025, a taxa de emprego das pessoas entre os 20 e os 29 anos era de 65,5% na União Europeia.
Nos Países Baixos, Dinamarca, Alemanha e Suécia, países onde a saída de casa tende a acontecer antes da média europeia, o emprego jovem encontra-se geralmente acima daquele valor. Já em países como Grécia, Croácia, Espanha e Itália, onde a emancipação ocorre mais tarde, a taxa de emprego dos jovens fica abaixo da média comunitária.
A relação ajuda a compreender o mapa, mas não basta para o explicar. Ter emprego não significa necessariamente conseguir suportar uma renda, reunir a entrada necessária para comprar casa ou obter financiamento bancário. O nível dos salários, a estabilidade dos contratos, o preço da habitação, a oferta de arrendamento e as políticas públicas de apoio à autonomia também pesam na decisão.
Há ainda diferenças culturais e familiares. Em alguns países, sair cedo de casa para estudar, trabalhar ou arrendar é uma etapa habitual. Noutros, permanecer com os pais até existir capacidade para comprar casa, ou até à constituição de uma nova família, continua a ser uma opção mais comum.
Em Portugal foi sempre assim?
Em Portugal, os 28,8 anos ajudam a dar dimensão estatística a uma realidade conhecida por muitas famílias. A saída de casa já não depende apenas da vontade de ganhar autonomia, está cada vez mais ligada à capacidade de conseguir transformar um salário numa renda sustentável ou numa prestação de crédito, sem comprometer a capacidade de pagar todas as restantes despesas.
Mas nem sempre os portugueses ficaram em casa dos pais até perto dos 30 anos. Estudos retrospetivos sobre gerações anteriores indicam que quem nasceu entre 1935 e 1975 saiu pela primeira vez da casa da família, em média, por volta dos 22 anos. Essa saída estava, contudo, muito mais ligada ao casamento e ao início imediato da vida em casal.
Os dados não são diretamente comparáveis com o atual indicador do Eurostat, mas mostram uma mudança importante que intuitivamente já identificávamos: prolongou-se o tempo entre a entrada na idade adulta e a conquista de uma casa própria.
As assimetrias nos diferentes países europeus, de igual modo, não revelam apenas uma diferença de hábitos: resultam também de mercados de trabalho e de habitação que oferecem possibilidades muito distintas para quem quer começar uma vida independente.
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