Arquitetura

Arquiteto chinês Liu Jiakun vence Prémio Pritzker 2025

Março 5, 2025 · 10:22 am
Luyeyuan Stone Sculpture Art Museum, photo courtesy of Bi Kejian

O chinês Liu Jiakun, cujo “caminho para a arquitetura não foi linear nem esperado”, é o vencedor do Prémio Pritzker de Arquitetura deste ano, considerado o mais importante galardão internacional atribuído nesta área.

Nascido em 1956 em Chengdu, na República Popular da China, numa família ligada à prática da medicina, a carreira de Liu Jiakun estende-se ao longo de quatro décadas, com mais de trinta projetos que abrangem instituições académicas e culturais, espaços cívicos, edifícios comerciais e planeamento urbano em toda a China, além de ter sido selecionado para projetar o Serpentine Pavilion inaugural de Pequim (2018), refere a organização do Prémio.

Liu Jiakun, que é também escritor e artista plástico, considera que “escrever romances e praticar arquitetura são formas distintas de arte, e não procurei, deliberadamente, combinar as duas. No entanto, talvez devido à minha dupla formação, existe uma ligação inerente entre eles no meu trabalho — como a qualidade narrativa e a procura de poesia nos meus ‘designs’”, afirma o arquiteto chinês citado pelo site do Prémio Pritzker.

Entre os seus ensaios publicados cite-se “The Conception of Brightmoon” (2014), em que “explora o conflito entre utopias e a vida humana”, “Narrative Discourse and Low-Tech Strategy” (1997), “Now and Here” (2002) e “I Built in West China?” (2009).

Liu Jiakun ganha prémio Pritzker 2025
Liu Jiakun, photo courtesy of The Hyatt Foundation/The Pritzker Architecture Prize

Celebrar a vida dos cidadãos comuns

“A arquitetura deve revelar algo — deve abstrair, destilar e tornar visíveis as qualidades inerentes das populações locais. Tem o poder de moldar o comportamento humano e criar atmosferas, proporcionando uma sensação de serenidade e poesia, evocando compaixão e misericórdia, e cultivando um sentimento de comunidade partilhada”, afirma Liu.

O arquiteto concilia ideias aparentemente contraditórias como utopia versus existência quotidiana, tradição versus modernidade e coletivismo versus individualidade, propondo uma arquitetura afirmativa que celebra a vida dos cidadãos comuns.

Segundo o júri do prémio Jiakun utiliza a arquitetura para fortalecer a comunidade, inspirar compaixão e elevar o espírito humano.

Arquiteto chinês Liu Jiakun vence Prémio Pritzker 2025
West Village, photo courtesy of Chen Chen



“A arquitetura deve revelar algo — deve abstrair, destilar e tornar visíveis as qualidades inerentes das populações locais. Tem o poder de moldar o comportamento humano e criar atmosferas, proporcionando uma sensação de serenidade e poesia, evocando compaixão e misericórdia, e cultivando um sentimento de comunidade partilhada”



Arquiteto de dia, escritor à noite

Jiakun, aos 17 anos fez parte do “Zhiqing da China”, um programa estatal de “educação para jovens”, tendo sido designado para a agricultura, mas optou por estudar Engenharia com ênfase em Arquitetura, em 1982, e esteve entre a primeira geração de antigos alunos encarregues de reconstruir a China durante um período de transformação para o país.

Trabalhando para o Instituto de Investigação e Design Arquitetónico de Chengdu, do Estado, no início da sua carreira, ofereceu-se para se mudar temporariamente para Nagqu, no Tibete (1984–1986), a região mais alta da Terra. “A minha maior força na altura parecia ser o meu medo de nada e, além disso, as minhas capacidades de pintura e escrita”, justificou.

Durante esses anos foi arquiteto durante o dia, mas autor à noite, profundamente envolvido na criação literária.

Prémio Pritzker 2025 distingue arquiteto chinês
Suzhou Museum of Imperial Kiln Brick, photo courtesy of Jiakun Architects

Palmarés internacional

Liu Jiakun participou em exposições internacionais, nomeadamente a de Arquitetura Experimental de Jovens Arquitetos Chineses, no 20.º Congresso Mundial de Arquitetos, em 1999, em Pequim, na TU MU Arquitetura Jovem da China (2001), em Berlim, na de Criação Urbana,apresentada na Bienal de Xangai, em 2002, nas 1.ª, 3.ª e 7.ª Bienais Bi-City de Urbanismo/Arquitetura, em Shenzhen, na China, respetivamente em 2005, 2009 e 2017, nas 11.ª e 15.ª Exposições Internacionais de Arquitetura, da Bienal de Veneza, em 2008 e 2016, na 56.ª Exposição Internacional de Arte da Bienal de Veneza (2015), na exposição “Agora e Aqui – Chengdu – Liu Jiakun”, com uma seleção de trabalhos seus, realizada em Berlim, em 2017, e refira-se ainda a “Super Fusion”, na Bienal de Chengdu, na China, em 2021.

Atualmente, é professor convidado na Escola de Arquitetura da Academia Central de Belas Artes, em Pequim, tendo já lecionado na Cité de l’Architecture et du Patrimoine, em Paris, no Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, nos Estados Unidos, na Royal Academy of Arts, em Londres, entre outras instituições na China.

O seu palmarés inclui o Far Eastern Architectural Design, Outstanding Award (2007 e 2017), o Prémio ASC Grand Architectural Creation (2009), o Architectural Record China Award (2010), Prémio WA para Arquitetura Chinesa (2016), Construir com a Natureza, Prémio Arquitetura China (2020), Prémio Sanlian Lifeweek City for Humanity de Contribuição Pública (2020) e Prémio UNESCO Ásia-Pacífico para a Conservação do Património Cultural, Novo Design em Contextos Património (2021).

Arquiteto chinês Liu Jiakun vence Prémio Pritzker 2025
Department of Sculpture, Sichuan Fine Arts Institute, photo courtesy of Arch-Exist

Galardão distingue arquitetos vivos

Liu continua a exercer a profissão e a residir em Chengdu, na China. É o 54.º laureado do Prémio Pritzker de Arquitetura, fundado em 1979 por Jay A. Pritzker e sua mulher, Cindy, com o objetivo de homenagear anualmente um arquiteto (ou arquitetos) cujo trabalho demonstre uma combinação de talento, visão e compromisso, contribuindo significativamente para a humanidade e para o ambiente através da arte da arquitetura.

A lista de galardoados inclui os portugueses Álvaro Siza Vieira (1992) e Eduardo de Souto Moura (2011), o brasileiro Paulo Mendes da Rocha (2006), o chileno Alejandro Aravena (2016), as irlandesas Yvonne Farrell e Shelley McNamara (2020), Francis Kéré, do Burkina Faso, em 2022, o inglês David Alan Chipperfield (2023), o japonês Riken Yamamoto (2024), entre outros.

Prémio Pritzker 2025 distingue arquiteto chinês
Novartis (Shanghai) Block - C6, photo courtesy of Arch-Exist

Fonte: Lusa/ Redação

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