Créditos

A sua prestação da casa está mesmo a baixar?

Maio 19, 2025 · 4:18 pm
Foto de Étienne Beauregard-Riverin na Unsplash

A prestação média do crédito à habitação voltou a descer em abril, aliviando ligeiramente o esforço financeiro das famílias com empréstimos, mas quem contratou créditos recentemente continua a sentir o peso das taxas de juro elevadas.

A taxa de juro implícita no conjunto dos contratos de crédito à habitação fixou-se em 3,663% em abril, uma descida de 7,2 pontos base face a março e um recuo de quase um ponto percentual desde o pico registado em janeiro deste ano (4,657%), avança hoje o Instituto Nacional de Estatística (INE). A taxa de juro implícita desce há 15 meses consecutivos e atingiu agora o valor mais baixo desde junho de 2023.

Esta redução traduziu-se numa prestação média mensal de 396 euros, menos dois euros do que no mês anterior e menos oito euros (-2,0%) do que há um ano. Do valor da prestação, 213 euros (54%) correspondem a pagamento de juros e 183 euros (46%) a capital amortizado.

Novos contratos mais caros

Apesar da melhoria global, os novos contratos contam uma história diferente. Quem contraiu crédito nos últimos três meses pagou, em média, 621 euros por mês, mais 17 euros do que em março. A taxa de juro nestes casos subiu ligeiramente para 3,060%, o que representa um aumento homólogo de 1,6%.

A descida lenta nas prestações mais antigas e a subida nos contratos recentes ilustra o desfasamento entre os efeitos da descida das taxas de referência do BCE e a realidade dos novos empréstimos, que ainda enfrentam custos mais elevados.

Em média, mais de metade da prestação mensal (54%) é destinada ao pagamento de juros, o que limita a amortização do capital e prolonga a exposição das famílias aos custos do crédito.

Já o capital médio em dívida para a totalidade dos contratos aumentou para 70.413 euros, mais 348 euros face a março. Nos contratos mais recentes, o montante médio em dívida disparou para 150.231 euros, um aumento de mais de 5.700 euros num só mês, o que evidencia que as famílias estão a contrair empréstimos mais elevados possivelmente impulsionadas pelos preços altos das casas, que continuam sem dar sinais de abrandamento.

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